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Demencia

Insurreição!

Demência

Ébrio na mesa de um bar
A boca seca implora o vinho que, eu suponho, ajudará
A tentar me esquecer
Daquele cão comendo lixo, eu vi, não era fictício
Pra depois regurgitar
A fome é pouca pra a carniça que ele tentou devorar
Mas se quer sobriver
Vai ter de criar a miragem que é banquete a sua lavagem

Mas o garçom discorda
E diz que a gente têm que olhar pra frente
Que a vida é um turbilhão sem precedentes
Contando orgulhoso histórias de como chegou ali

Eu disse "acorda"
Será que és assim tão negligente?
Se achas mesmo assim tão inteligente
E não visse que o bicho no lixo era gente e por isso sofri

Mas que calhorda
Sorriu e me julgou um inocente
Gritei pra ele "és um prepotente"
E saí revirando mesas e copos a pontapés

Não importa
Jamais pretendi ser mais um cliente
Por mais que lhe pareça indecente
Eu não tenho dinheiro pra pagar a conta e não quero lavar a louça

Eu quero bem mais do que gordura em minhas unhas
Eu quero trazer honra à minha alcunha
Tentar canalizar esse calor que me sufoca
SolvÊ-lo em acidez nas minhas respostas
Pra ver que quem já nos fez de idiota
Hoje em dia se calou

No outro dia ao acordar
Me veio à mente uma clareza que me fez bestificar
Pois vi num vidro qualquer
Que aquilo que fuçava os restos era eu

Demencia

Ébrio en la mesa de un bar
La boca seca ruega por el vino que, supongo, ayudará
A intentar olvidarme
De ese perro comiendo basura, vi que no era ficticio
Para luego regurgitar
El hambre es poca para la carroña que intentó devorar
Pero si quiere sobrevivir
Tendrá que crear la ilusión de un banquete en su lavado

Pero el mesero discrepa
Y dice que debemos mirar hacia adelante
Que la vida es un torbellino sin precedentes
Contando orgulloso historias de cómo llegó allí

Le dije 'despierta'
¿Eres tan descuidado?
Si realmente te crees tan inteligente
Y no viste que el animal en la basura era gente y por eso sufrí

Qué sinvergüenza
Sonrió y me juzgó como un inocente
Le grité 'eres un prepotente'
Y salí volcando mesas y dando patadas a los vasos

No importa
Nunca pretendí ser solo otro cliente
Por más que te parezca indecente
No tengo dinero para pagar la cuenta y no quiero lavar los platos

Quiero mucho más que grasa bajo mis uñas
Quiero traer honor a mi nombre
Intentar canalizar este calor que me sofoca
Disolverlo en acidez en mis respuestas
Para ver que aquellos que nos hicieron parecer idiotas
Hoy en día se han callado

Al despertar al día siguiente
Me vino una claridad que me dejó atónito
Pues vi en un vidrio cualquiera
Que aquel que rebuscaba los restos era yo

Escrita por: Gui Araújo