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Nido de Terciopelo

Irmãs Barbosa

Ninho de Veludo

Este sobrado
Descorado e sem pintura
Que foi feito na moldura
Para ele e para mim

Por dentro dele
Hoje está tudo quebrado
Eu te conto detalhado
O que o fez ficar assim

Quem eu amava
Dentro dele tinha tudo
Tinha um ninho de veludo
Com tapetes pelo chão

Esse alguém
Hoje dorme maltrapilho
Na friagem do ladrilho
Implorando o meu perdão

Foi o ciúme
A inveja e a intriga
Arruinou as nossas vidas
E nasceu o desamor

Eu larguei tudo
Na metade do caminho
Só ficou o antigo ninho
Depenado e já sem cor

E o prédio morto
Sem vidraça e todo imundo
Hoje abriga os vagabundos
Que ali dormem pelo chão

Sobrado velho
Ali ficou retratado
É o espelho do passado
Que envergonha o quarteirão

Nido de Terciopelo

Esta casa grande
Desgastada y sin pintura
Que fue hecha en la estructura
Para él y para mí

Por dentro de ella
Hoy está todo destrozado
Te cuento detallado
Lo que lo hizo quedar así

Quien yo amaba
Dentro de ella tenía todo
Tenía un nido de terciopelo
Con alfombras por el suelo

Esa persona
Hoy duerme harapiento
En el frío del ladrillo
Implorando mi perdón

Fue los celos
La envidia y la intriga
Arruinó nuestras vidas
Y nació el desamor

Dejé todo
A mitad del camino
Solo quedó el antiguo nido
Desplumado y ya sin color

Y el edificio muerto
Sin ventanas y todo sucio
Hoy alberga a los vagabundos
Que allí duermen por el suelo

Casa vieja
Allí quedó plasmado
Es el espejo del pasado
Que avergüenza al barrio

Escrita por: José Caetano Erba / Tião Do Carro