Rivotril
Sou eu que te escreve essa carta
Tudo já foi, tá falado, mas há palavras não gastas
Sou eu quem te acorda de madrugada
Nos teus pesadelos medonhos, na sua fronha molhada
Eu que te implorava por mais sossego
Eu acusada do seu renego
Eu que pedia perdão sem ter cometido erro
Agora não sou mais porque
Agora não tem mais você
Sou eu quem encontra numa encruzilhada
Sou que te empurra no vão da escada e te compra um picolé pra você não chorar mais
Sou eu, o monge do seu monastério
As gotinhas do teu remédio
Que não vão livrar você do tédio
Sou eu quem te fala verdade
Você foi o fim da picada, uma faca afiada
Sou eu que bebi teu chorume
Da mente perversa, espremida, barato o perfume
Foi eu quem mastiguei o meu orgulho
Tranquei meu coração no teu quarto escuro
Agora não sou mais porque
É que agora não tem mais você
Sou eu que encontra numa encruzilhada
Sou que te empurra no vão da escada e te compra um picolé pra você não chorar mais
Sou eu, o monge do seu monastério
As gotinhas do teu remédio
Que não vão livrar você do tédio
Rivotril
Soy yo quien te escribe esta carta
Todo ha sido dicho, está hablado, pero hay palabras que no gastas
Soy yo quien te despierta en la madrugada
En tus pesadillas espantosas, en tu almohada mojada
Yo que te suplicaba por más tranquilidad
Yo acusada de tu rechazo
Yo que pedía perdón sin haber cometido error
Ahora ya no soy porque
Ahora ya no estás tú
Soy yo quien se encuentra en una encrucijada
Soy yo quien te empuja al vacío de la escalera y te compra un helado para que no llores más
Soy yo, el monje de tu monasterio
Las gotitas de tu medicina
Que no te van a librar del aburrimiento
Soy yo quien te dice la verdad
Tú fuiste el fin del camino, un cuchillo afilado
Soy yo quien bebió tu veneno
De la mente perversa, exprimida, barato el perfume
Fui yo quien masticó mi orgullo
Encerré mi corazón en tu habitación oscura
Ahora ya no soy porque
Es que ahora ya no estás tú
Soy yo quien se encuentra en una encrucijada
Soy yo quien te empuja al vacío de la escalera y te compra un helado para que no llores más
Soy yo, el monje de tu monasterio
Las gotitas de tu medicina
Que no te van a librar del aburrimiento
Escrita por: Isabella Taviane / Myllena