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Aparecida

Iva Rothe

Aparecida

Toda mulher é ou não parecida com toda mulher?
Toda mulher é ou não aparecida?

Toda mulher é ou não parecida com toda mulher?
Toda mulher é ou não aparecida?

E aparecida veio, véio
Varou porta adentro pra sala de estar bem
Mostrou tantos feitos que talvez desse nem pra conta
Dos planos contidos num ligue os parêntesis
Os parentes abrimos tanta boca
Uns só riso
Outros surpreendidos com tamanha beleza que da caixa de surpresas surgiu

Oh! Mas precisava tanto
Varinhas de condão, não: Encanto
Bordado homem do manto
Aquele um que meu pai fala
Dela que lhe prometeu um blue paradise
E aquela que lhe concedeu um blue paradise
Quase vivo de espanto
Coração disposto em tanto canto
Rezas contra quebranto
Caxixi, dobrão, vaqueta
Cantava e tocava tão bem o berimbau
Jogava e pegava tão bem no berimbau

Rendinhas de bureau e projetos arquitetônicos
Pra um melhor aproveitamento urbano da ventilação no trópico do equador
Dor, que dor de cotovelo
Ao ver como era novo o nó velho que ela desenrolou
Abalou paris e o embalo da minha cadeira que nem elétrica é
Aprumo meu pé nos rebolados dessa mulher
Que diz sabe o que quer
Mas que importa saber o que ela é se ela é artista?

Sambista que diz que é da portela
ÓI ela, óI ela
Pergunta do pedreirense
Seu antigo império foi pra avenida
- Não diga!
- Tão lindo! Mais retumbante que o agreste do amado
Parente, aparecida é crente.
E você, acredita em que?
Me diz, parente, acredita em que?

Aparecida

Toda mujer se parece o no se parece a toda mujer?
Toda mujer se muestra o no se muestra?

Toda mujer se parece o no se parece a toda mujer?
Toda mujer se muestra o no se muestra?

Y aparecida llegó, viejo
Entró por la puerta hasta la sala de estar
Mostró tantas hazañas que tal vez ni se podrían contar
De los planes contenidos en los paréntesis
Los parientes abrieron tantas bocas
Unos solo risas
Otros sorprendidos por tanta belleza que de la caja de sorpresas surgió

¡Oh! Pero ¿era necesario tanto?
Varitas mágicas, no: Encanto
Bordado hombre del manto
Aquel del que mi padre habla
De ella que le prometió un paraíso azul
Y aquella que le concedió un paraíso azul
Casi vivo de asombro
Corazón dispuesto en tantos cantos
Rezos contra el mal de ojo
Caxixi, doblón, vaqueta
Cantaba y tocaba tan bien el berimbau
Jugaba y cogía tan bien el berimbau

Encajes de escritorio y proyectos arquitectónicos
Para un mejor aprovechamiento urbano de la ventilación en el trópico del ecuador
Dolor, qué dolor de codo
Al ver cómo era nuevo el viejo nudo que ella deshizo
Sacudió París y el balanceo de mi silla que ni siquiera es eléctrica
Afirmo mi pie en los movimientos de esta mujer
Que dice saber lo que quiere
Pero ¿importa saber qué es si ella es artista?

Sambista que dice que es de la Portela
Mírala, mírala
Pregunta del pedreirense
¿Su antiguo imperio fue a la avenida?
- ¡No digas!
- ¡Tan hermoso! Más resonante que el agreste del amado
Pariente, aparecida es creyente.
Y tú, ¿en qué crees?
Dime, pariente, ¿en qué crees?

Escrita por: Iva Rothe