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Cuando Amanezca

Ivan da Gamboa

Quando Virar Manhã

Esse meu sangue ameríndio
A minha pele tom pastel
Brota no musgo dessa mata
Reflete no azul desse céu
E sinto o fluido correr
Nas minhas veias
Qual água do igarapé
E vou lá eu a descer
As corredeiras
Curtido no pó de rapé
Desaguei nesse litoral
E vi homem branco chegar
Trazendo a figura do mau
Querendo tirar meu cocar
Canoas movidas a velas
Aonde cabia uma aldeia
Ouvi gritos de uma cela
Igual um cantar de sereia
Foi me seduzindo a entrar
No instante em que reconheci
Chorei quando pude notar
O pranto da minha Araci
Das garras do contraventor
Dou a minha vida pra te salvar
Me atiro nos braço da morte
Sou índio sou forte
E não vou te deixar
Iara mãe d’água
Vem nos valer
Com a sabedoria de jaçanã
E faz esse amor renascer
Quando virar manhã

Cuando Amanezca

Mi sangre amerindia
Mi piel tono pastel
Brotando en el musgo de esta selva
Reflejando en el azul de este cielo
Y siento el fluido correr
En mis venas
Como agua de la quebrada
Y allá voy yo a descender
Por los rápidos
Curtido en el polvo de rapé
Desagué en esta costa
Y vi al hombre blanco llegar
Traer la figura del mal
Queriendo quitarme mi tocado
Canoas impulsadas por velas
Donde cabía una aldea
Escuché gritos de una celda
Como un canto de sirena
Me fue seduciendo a entrar
En el momento en que reconocí
Lloré cuando pude darme cuenta
Del llanto de mi Araci
De las garras del contraventor
Doy mi vida para salvarte
Me lanzo a los brazos de la muerte
Soy indio, soy fuerte
Y no te dejaré
Iara madre del agua
Ven a socorrernos
Con la sabiduría de jaçanã
Y haz renacer este amor
Cuando amanezca

Escrita por: Ivan da Gamboa e Luciano Trindad