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Origen Campesino

Ivan e Júlio Compositores Raiz

Origem Caipira

Quem te viu, quem te vê, nem parece você quando cheio de graça
Se achando demais, deixou tudo pra trás, dizendo com pirraça
Que jamais voltaria, nunca mais pisaria neste tipo de chão
Que a lida na roça, morar numa palhoça não era vida não
Tomando outro rumo, meio fora do prumo, deixou nosso sertão

Esse olhar de soslaio, como fosse um lacaio com medo do patrão?
O que foi que te fez a voltar outra vez aqui neste rincão
Onde o cabo da enxada, deixa as mãos calejadas e por isso fugiu
Onde a casa sem luxo, contra qualquer repuxo sempre resistiu
Chega então e explica o porquê da visita, se a ficha caiu

Diga lá de uma vez, a falta que te fez o carinho dos pais
A comida cheirosa, simplesinha, gostosa que só a mamãe faz
Da família unida, da viola doída, do papai cantador
De amizades daqui, que onde foi por aí, nada igual encontrou
Este cheiro de mato, deste mundo pacato rodeado de amor

Não consegue explicar, mas dá pra imaginar que pôde aprender
Como o tempo não tira essa origem caipira grudada em você
Que o nosso sotaque, nosso tipo de arte, juntos podem partir
Mas a roça não vai, puxa a gente pra trás, faz tristeza sentir
E assim pouco a pouco, a saudade, caboclo, lhe fez voltar aqui

Origen Campesino

Quién te vio, quién te ve, ni pareces tú cuando estás lleno de gracia
Creído, lo dejaste todo atrás, diciendo con terquedad
Que nunca volverías, nunca más pisarías este tipo de suelo
Que el trabajo en el campo, vivir en una choza no era vida
Tomando otro rumbo, un poco desequilibrado, dejaste nuestro sertón

¿Esa mirada de reojo, como si fueras un sirviente con miedo al patrón?
¿Qué te hizo volver otra vez a este rincón?
Donde el mango de la azada deja las manos callosas y por eso huyó
Donde la casa sencilla, contra cualquier contratiempo siempre resistió
Entonces explícame por qué la visita, si caíste en cuenta

Dilo de una vez, la falta que te hizo el cariño de tus padres
La comida aromática, sencilla, deliciosa que solo mamá hace
De la familia unida, del dolorido sonido de la guitarra, del papá cantor
De las amistades de aquí, que donde fuiste por ahí, no encontraste nada igual
Este olor a campo, de este mundo tranquilo rodeado de amor

No puedes explicarlo, pero se puede imaginar que pudiste aprender
Cómo el tiempo no borra ese origen campesino pegado en ti
Que nuestro acento, nuestro tipo de arte, juntos pueden separarse
Pero el campo no se va, nos tira hacia atrás, nos hace sentir tristeza
Y así poco a poco, la nostalgia, campesino, te hizo volver aquí

Escrita por: Ivan Souza