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Dos arroyos

Ivan Lins

Dois Córregos

Deita
Deixa a manhã entrar
No quarto onde eu não estou
Onde eu não vou jamais estar

Minha dor
Não cruza tua dor
E nunca vai cruzar
Nunca encontrar seja onde for

O silêncio desses leitos
Ecoando pelo corredor
Nos ermos céus
É o marulho desses beijos
Que não foram teus nem meus

Deita
E sente o tempo andar
Nas margens de nós dois
E se depois tudo mudar... deixa

Dos arroyos

Deita
Deja que la mañana entre
En la habitación donde no estoy
Donde nunca estaré

Mi dolor
No se cruza con tu dolor
Y nunca se cruzará
Nunca se encontrará en ningún lugar

El silencio de estas camas
Resonando por el pasillo
En los desolados cielos
Es el murmullo de esos besos
Que no fueron tuyos ni míos

Deita
Y siente el tiempo pasar
En las orillas de nosotros dos
Y si después todo cambia... deja

Escrita por: Caetano Veloso / Ivan Lins