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Mi Acento Es Nortino

Jaelton Corcino

Meu Sotaque É Nordestino

Eu deixei minha casinha lá no meu interior
O meu pedacinho de terra a herança de vovô
Uma terra produtiva tinha casa de farinha
Onde tudo que plantava tudo um pouco nós colhia

Nossa casa era de taipa cobertura de Palhoça
As parede era de barro alinhada e um pouco torta
O fogão era a lenha e o filtro era de barro
Mãe varria o terreiro e pai observava o gado

Muita chuva e fartura e o verde do sertão
Vou moer ração pro gado a pedido do patrão
Já plantei milho e feijão, batata e macaxeira
Muito queijo e qualhada já não é tempo de seca

Lembro amanhecendo o dia meu pai já ligava o rádio
Perto do fogão a lenha carne de Sol pendurado
Mãe preparando o café depois nos vai pro roçado
Vamos a limpar a roça e pai capinando com o gado

Pra matar a nossa sede na cabaça levei água
Com a enxada nos pinhaço a mão toda calejada
Os açudes tudo cheio tomava banho de cuia
E o lanche no roçado bolacha com rapadura

Todo dia eu escrevo eu me lembro eu sou poeta
Nunca esqueço minhas raízes sei quem é quem e quem não presta
Tudo lá é mais difícil moro aqui na capital
Qualquer dia vou visitar o povo da minha terra Natal

Eu vou
Eu vou
Vou prosear
O meu sotaque é nordestino

Eu vou
Eu vou
Um dia eu vou voltar pro meu interior

Eu vou
Eu vou
Vou prosear
O meu sotaque é nordestino

Eu vou
Eu vou
Um dia eu volto para o meu interior

Mi Acento Es Nortino

Dejé mi casita allá en mi interior
Mi pedacito de tierra, la herencia de mi abuelo
Una tierra productiva, tenía casa de harina
Donde todo lo que sembrábamos, un poco cosechábamos

Nuestra casa era de adobe, techo de palma
Las paredes eran de barro, alineadas y un poco torcidas
La estufa era de leña y el filtro era de barro
Mamá barría el patio y papá observaba el ganado

Mucha lluvia y abundancia, y el verde del sertón
Voy a moler alimento para el ganado a pedido del patrón
Ya sembré maíz y frijoles, papa y yuca
Mucho queso y cuajada, ya no es tiempo de sequía

Recuerdo al amanecer, mi papá ya encendía la radio
Cerca de la estufa de leña, carne de sol colgada
Mamá preparando el café, después nos vamos al sembradío
Vamos a limpiar la parcela y papá desmalezando con el ganado

Para saciar nuestra sed, en la cabaña llevé agua
Con la azada en la mano, toda callosa
Los estanques llenos, me bañaba con un cuia
Y la merienda en el sembradío, galleta con rapadura

Todos los días escribo, recuerdo, soy poeta
Nunca olvido mis raíces, sé quién es quién y quién no vale
Todo allá es más difícil, vivo aquí en la capital
Cualquier día voy a visitar a la gente de mi tierra natal

Voy a ir
Voy a ir
Voy a platicar
Mi acento es nortino

Voy a ir
Voy a ir
Un día volveré a mi interior

Voy a ir
Voy a ir
Voy a platicar
Mi acento es nortino

Voy a ir
Voy a ir
Un día volveré a mi interior

Escrita por: Jaelton Corcino