395px

Guarida de serpiente

Jair Naves

Covil de Cobras

É um covil de cobras,
Recusa a oferta e diz que pra ti isso é esmola
Não se apavora
Enquanto eu estiver na sua escolta

Que seja só eu contra mil
Tamanha frieza ninguém nunca viu

Surge um europeu deslumbrado
Com delírios de colonizador
Quinhentos anos atrasado
Agora eu tenho com quem me indispor

Eis a prova
De que maria antonieta fez escola
Só me acorda
Quando a classe operária for à forra

Que seja só eu contra mil
Tamanha frieza ninguém nunca viu

Tremendo de entusiasmo,
Eu disse "eu te amo" assim que você me tocou
Incrédulo e afobado,
Meu desejo improvável se realizou
E essa cena sempre me volta
Quando eu quero fugir da jaula em que eu estou
A minha memória mais preciosa,
O pouco de doçura que me restou
A minha memória mais preciosa,
Refúgio pro cinismo que me tomou

A minha alma
Se esvaiu de mim
Eu nem senti, eu nem senti
Sem me dar conta, irremediavelmente eu me perdi
Eu nem senti, eu nem senti
Quando a minha alma se esvaiu de mim
Eu nem senti, eu nem senti
Pra mim, tudo mudou
Quando começaram a me chamar de senhor
E eu me atentei tardiamente
Que a juventude se vai tão de repente,
Que eu não vou viver eternamente

Guarida de serpiente

Es una guarida de cobras
Rechaza la oferta y di que es limosna para ti
No está aterrorizado
Mientras esté en tu escolta

Que sea sólo yo contra mil
Tal frialdad que nadie ha visto nunca

Surge un europeo deslumbrado
Con los delirios de un colonizador
Quinientos años tarde
Ahora tengo a alguien de quien deshacerme

Aquí está la prueba
Que Marie Antoinette fue a la escuela
Despiértame
Cuando la clase obrera está en línea

Que sea sólo yo contra mil
Tal frialdad que nadie ha visto nunca

Temblando de entusiasmo
Dije «Te amo» tan pronto como me tocaste
Increyente y nervioso
Mi deseo improbable se hizo realidad
Y esa escena siempre vuelve a mí
Cuando quiero escapar de la jaula estoy en
Mi más preciada memoria
Qué pequeña dulzura me queda
Mi más preciada memoria
Refugio del cinismo que me llevó

Mi alma
Se ha alejado de mí
Ni siquiera lo sentí, no lo sentí
Sin darme cuenta, irremediablemente me perdí
Ni siquiera lo sentí, no lo sentí
Cuando mi alma se había ido de mí
Ni siquiera lo sentí, no lo sentí
Para mí, todo ha cambiado
Cuando empezaron a llamarme señor
Y me escuchaba hasta tarde
Que la juventud se ha ido tan repentinamente
Que no viviré para siempre

Escrita por: