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María Sin Tierra

Janaína Maia

Maria Sem Terra

Sem rumo, andejo,
Me fiz peregrina
Mantenho a esperança
Que todas carregam
Por ter em meu corpo
O cheiro de terra
Sou parte da casta
Das que não se entregam

O pai de meus filhos,
Parceiro constante
Que um dia, distante
Da vida ficou
Talvez ainda hoje
Comigo estivesse
Eu sei, não seria
Aquilo que sou

(Mas mesmo acampada
Vislumbro horizontes
Jamais meus direitos
Irei renunciar
Que impere a justiça
Pelos gabinetes
Pra um naco de terra
De herança eu deixar)

Não quero que vejam
Meu suor derramado
Em terras não-minhas
Abrindo trincheiras
Tampouco meus filhos
Servindo de escudo
Em lutas insanas
Por outras bandeiras

A anca do tempo
Provou meu vício
Pra línguas ferinas
Sou sobra de guerra
Mas eu sou apenas
Qual tantas Marias,
Mulheres sofridas,
Maria sem terra

(Mas mesmo acampada
Vislumbro horizontes
Jamais meus direitos
Irei renunciar
Que impere a justiça
Pelos gabinetes
Pra um naco de terra
De herança eu deixar)

María Sin Tierra

Sin rumbo, errante,
Me convertí en peregrina
Mantengo la esperanza
Que todas llevan consigo
Por tener en mi cuerpo
El olor a tierra
Soy parte de la casta
De las que no se rinden

El padre de mis hijos,
Compañero constante
Que un día, lejos
De la vida se quedó
Tal vez aún hoy
Estuviera conmigo
Sé que no sería
Lo que soy ahora

(Pero incluso acampada
Vislumbro horizontes
Jamás renunciaré
A mis derechos
Que impere la justicia
Por los despachos
Para dejar en herencia
Un pedazo de tierra)

No quiero que vean
Mi sudor derramado
En tierras ajenas
Abriendo trincheras
Tampoco mis hijos
Sirviendo de escudo
En luchas insensatas
Por otras banderas

La cadera del tiempo
Probó mi vicio
Para lenguas venenosas
Soy resto de guerra
Pero soy solo
Como tantas Marías,
Mujeres sufridas,
María sin tierra

(Pero incluso acampada
Vislumbro horizontes
Jamás renunciaré
A mis derechos
Que impere la justicia
Por los despachos
Para dejar en herencia
Un pedazo de tierra)

Escrita por: Luís Carlos Narvaes / Wilson Paim