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Literatura

Jão

Literatura

Ossos, gritos, versos bíblicos
Eu não esqueço o dia em que eu te vi sair
Lápis, tremo, e eu nego, reescrevo
Eu não processo o dia em que eu te vi sair (oh)

Vai ver eu poderia escrever alguma coisa
Que mudaria o rumo cruel dessa história
Pra te ter aqui
Vai ver o tempo pare e gire o mundo ao inverso
E na realidade desses novos versos
Eu te veja aqui

Crio cenas, domingo na mesa
O Sol beijando a Bela
Quem vai dizer a ela
Que não somos nós aqui?

Eu acredito nas palavras
Pontes inventadas me interessam mais
Eu sei manipular as linhas
Fecho suas feridas com pontos finais
Dispenso a verdade, tão fria e tão crua
A vida é linda, mas prefiro ainda literatura

Vai ver eu poderia escrever alguma coisa
Que mudaria o rumo cruel dessa história
Pra te ter aqui
Vai ver o tempo pare e gire o mundo ao inverso
E na realidade desses novos versos
Eu te veja aqui

E se eu pudesse mudar tudo com tinta?
Só pra não me recompor
Andar exposto com os meus vazios
Crescer ao redor
Há uma mesa, nela se senta
A nossa família, o Sol na cortina, e você aqui
Eu não vou, eu não vou, eu não vou
Eu não processo, não

Ossos, gritos
Eu nego, reescrevo (ooh)
O Sol beijando a Bela
Quem vai dizer a ela
Que não somos nós aqui?

Literatura

Huesos, gritos, versos bíblicos
No olvido el día en que te vi partir
Lápiz, tiemblo, lo niego, reescribo
No logro asimilar el día en que te vi partir (oh)

Quizá podría escribir algo
Que cambiara el rumbo cruel de esta historia
Para tenerte aquí
Quizá el tiempo se detenga y haga girar el mundo al revés
Y en la realidad de estos nuevos versos
Pueda verte aquí

Invento escenas, un domingo alrededor de la mesa
El Sol besando a Bela
¿Quién va a decirle a ella
Que no somos nosotros los que estamos aquí?

Yo creo en las palabras
Los puentes imaginarios me interesan más
Sé cómo mover los renglones
Cierro tus heridas con puntos finales
Renuncio a la verdad, tan fría y tan cruel
La vida es hermosa, pero yo prefiero la literatura

Quizá podría escribir algo
Que cambiara el rumbo cruel de esta historia
Para tenerte aquí
Quizá el tiempo se detenga y haga girar el mundo al revés
Y en la realidad de estos nuevos versos
Pueda verte aquí

¿Y si pudiera cambiarlo todo con tinta?
Solo para no tener que recomponerme
Caminar mostrando mis vacíos
Crecer alrededor de ellos
Hay una mesa, alrededor se sienta
Nuestra familia, el Sol en la cortina, y tú aquí
No puedo, no puedo, no puedo
No logro asimilarlo, no

Huesos, gritos
Lo niego, reescribo (ooh)
El Sol besando a Bela
¿Quién va a decirle a ella
Que no somos nosotros los que estamos aquí?

Escrita por: Jão, Pedro Tofani