Pedidos de Um Vaqueiro
declamado:
(Chegou um menino correndo
E me disse, papai está morrendo
Seu moço, vamos ver
É um velho boiadeiro
É meu único companheiro
Tenho medo de perder
Fui ver o que tinha ocorrido
E num baixeiro estendido
O velho me fez seus pedidos
Pouco antes de morrer)
Acenda o fogo da fogueira, meu amigo
Deixe a fumaça espalhar-se no galpão
Toque o berrante repicando a retirada
Pra que eu veja a boiada no estradão
Deixe meu corpo estendido no baixeiro
E por bondade me cubra com o gibão
Diga a meu povo que despede-se um boiadeiro
Que está cansado desta vida de peão
Diga que mesmo indo para o outro mundo
Das vaquejadas levarei recordação
Traga aqui perto o Trigueiro e o Malhado
Bois de estimas que criei desde pequenos
Chame o cachorro sem deixar que ele perceba
Sei que ele morre se notar que estou morrendo
As minhas botas, o meu laço companheiro
Peço que enterre junto a mim, faça um favor
Diga à peonada que prossiga o caminho
E o meu filhinho leve ele com o senhor
E bem baixinho fez seu último pedido
Que eu pintasse de preto o carro de boi
Mal tive o tempo de enxugar as suas lágrimas
Fechou os olhos e deste mundo se foi
Peticiones de un Vaquero
declamado:
(Llegó un niño corriendo
Y me dijo, papá está muriendo
Señor, vamos a ver
Es un viejo vaquero
Es mi único compañero
Tengo miedo de perder
Fui a ver lo que había ocurrido
Y en un rincón tendido
El viejo me hizo sus peticiones
Poco antes de morir)
Enciende el fuego de la fogata, mi amigo
Deja que el humo se esparza en el galpón
Toca el cuerno repicando la retirada
Para que vea el ganado en el camino
Deja mi cuerpo tendido en el rincón
Y por bondad cúbrelo con el poncho
Dile a mi gente que se despide un vaquero
Que está cansado de esta vida de peón
Diles que aunque vaya al otro mundo
De las jineteadas llevaré recuerdos
Trae aquí cerca a Trigueiro y Malhado
Bueyes queridos que crié desde pequeños
Llama al perro sin que se dé cuenta
Sé que morirá si nota que estoy muriendo
Mis botas, mi lazo compañero
Pido que los entierren junto a mí, hazme ese favor
Dile a los peones que sigan el camino
Y a mi hijito llévalo contigo
Y en voz baja hizo su última petición
Que pintara de negro el carro de bueyes
Apenas tuve tiempo de secar sus lágrimas
Cerró los ojos y de este mundo se fue
Escrita por: Benedito Praconi