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Al Borde de Mi Mirada

Joana Amendoeira

À Beira do Meu Olhar

Pressentindo a madrugada
Na beira do meu olhar
Abro a mão, não tenho nada
Mas não a torno a fechar

Ao ver o teu sono lindo
A dormir na minha mão
O orvalho vai caindo
Nas rugas da solidão

Tu chamas-me de alvorada
E fazes-te de sol posto
Ao veres cair a geada
Pelos vales do meu rosto

No momento em que despertas
Das tuas noites sombrias
Vês que tenho as mãos abertas
E que as duas estão vazias

É por não terem lá nada
Que só se fecham as duas
Na surpresa abandonada
De irem abraçar as tuas

Al Borde de Mi Mirada

Presintiendo la madrugada
Al borde de mi mirada
Abro la mano, no tengo nada
Pero no la vuelvo a cerrar

Al ver tu hermoso sueño
Durmiendo en mi mano
El rocío va cayendo
En las arrugas de la soledad

Tú me llamas amanecer
Y te conviertes en sol poniente
Al ver caer la escarcha
Por los valles de mi rostro

En el momento en que despiertas
De tus noches sombrías
Ves que tengo las manos abiertas
Y que ambas están vacías

Es porque no tienen nada allí
Que solo se cierran las dos
En la sorpresa abandonada
De ir a abrazar las tuyas

Escrita por: Pedro Pinhal / Tiago Torres da Silva