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Diz Que Me Diz

Joanna

Diz Que Me Diz

Ai, que saudades dos velhos tempos
Em que se andava calmamente pelas ruas da cidade
Pegar um bonde no tabuleiro da baiana
Era o costume tão bacana dos rapazes do passeio
Camisa branca, de colarinho, terno listrado de azul marinho
Chapéu de palha, sapato fino
E no cabelo sempre muita gomalina
Mas hoje em dia não se vê mais isso não
Ai, que sufoco pra pegar a condução
Não sobra grana nem pra gente ir a um teatro
E a gente vive com essa pedra no sapato
Mas, que diacho, ninguém escapa
E o nosso artista nunca passa de um programa de calouros
Olha a buzina, lá vem o rapa
E nessa surra, no puleiro quem apanha é sempre o povo
Seu delegado, eu sou honesto
Trabalho duro, me viro a breca
Na Tiradentes eu faço ponto
Nas horas extras eu ainda sou boneca
Diz quem me diz
Que eu sou solteiro e vacinado
Pago o meu pis
Tenho o meu fundo garantido
Gradualista muito bem remunerado
Ainda recebo honra ao mérito de otário

Diz Que Me Diz

Ai, qué nostalgia de los viejos tiempos
Cuando se caminaba tranquilamente por las calles de la ciudad
Tomar un tranvía en el tablero de la bahiana
Era la costumbre tan genial de los chicos del paseo
Camisa blanca, con cuello, traje a rayas azul marino
Sombrero de paja, zapatos finos
Y en el cabello siempre mucha brillantina
Pero hoy en día ya no se ve eso
Ai, qué apuro para tomar el transporte
No queda dinero ni para ir al teatro
Y vivimos con esta piedra en el zapato
Pero, qué demonios, nadie escapa
Y nuestro artista nunca pasa de un programa de concursos
Escucha la bocina, ahí viene la policía
Y en esta golpiza, en el gallinero quien recibe siempre es la gente
Señor oficial, soy honesto
Trabajo duro, me las arreglo como puedo
En Tiradentes hago base
En las horas extras aún soy un títere
Dime quién me dice
Que soy soltero y vacunado
Pago mi seguro social
Tengo mi fondo garantizado
Gradualista muy bien remunerado
Todavía recibo el honor al mérito de tonto

Escrita por: Guará / Joanna / Sarah Benchimol