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Penas

João Chagas Leite

Penas

Uma estampa da pampa vai desaparecer
Não tem liberdade e não pode correr
Não pode correr, não pode correr

A máquina e o homem
Cortaram as distâncias
E léguas de estância
Não existem mais
Não existem mais, não existem mais

Inhandu tuas penas
São penas que chegam
Nas tardes amenas
As lembranças de um piá
Que apenas queria
Nas correrias
Roubar-te uma pena
Pra poder brincar

Nas grandes cidades
Vi festa, vi plumas
Enfeitando a vaidade
E alegria fugaz
Na loucura da festa
Luz e esplendor
Na tristeza das penas
Um grito de dor

O avestruz do meu pago
Vai desparecer
São penas que trago
E nada posso fazer
A falta de espaço
Encurtou o seu passo
E sem liberdade
Não pode viver

Penas

Una estampa del campo va a desaparecer
No hay libertad y no puede correr
No puede correr, no puede correr

La máquina y el hombre
Cortaron las distancias
Y leguas de estancia
Ya no existen más
Ya no existen más, ya no existen más

Inhandu tus penas
Son penas que llegan
En las tardes amenas
Los recuerdos de un pibe
Que solo quería
En las correrías
Robarte una pluma
Para poder jugar

En las grandes ciudades
Vi fiesta, vi plumas
Adornando la vanidad
Y alegría fugaz
En la locura de la fiesta
Luz y esplendor
En la tristeza de las penas
Un grito de dolor

El avestruz de mi pago
Va a desaparecer
Son penas que traigo
Y nada puedo hacer
La falta de espacio
Acortó su paso
Y sin libertad
No puede vivir

Escrita por: Chico Alves, Kenelmo Alves