Cabide de Molambo
Meu Deus, eu ando com o sapato furado
Tenho a mania de andar engravatado
A minha cama é um pedaço de esteira
E uma lata velha me serve de cadeira
Minha camisa foi encontrada na praia
A gravata foi achada na Ilha da Sapucaia
Meu terno branco parece casca de alho
Foi a deixa de cadáver num acidente do trabalho
O meu chapéu foi de um pobre surdo e mudo
As botina foi de um velho, da Revorta de Canudo
Quando eu saio a passeio, as damas ficam falando
Trabalhei tanto na vida, o malandro tá gozando
A refeição é que é interessante
Na tendinha do Tinoco, no pedir eu sou constante
O Português, meu amigo sem orgulho
Me sacode um caldo grosso, carregado no entulho
Cabide de Molambo
Dios mío, camino con zapatos rotos
Tengo la costumbre de andar con corbata
Mi cama es un pedazo de estera
Y una lata vieja me sirve de silla
Mi camisa la encontré en la playa
La corbata la hallé en la Isla de Sapucaia
Mi traje blanco parece cáscara de ajo
Fue la pista de un cadáver en un accidente laboral
Mi sombrero era de un pobre sordo y mudo
Las botas eran de un viejo de Revorta de Canudo
Cuando salgo de paseo, las damas comentan
Trabajé tanto en la vida, el pillo está disfrutando
La comida es lo interesante
En la tiendita de Tinoco, siempre pido
El portugués, mi amigo sin orgullo
Me sirve un caldo espeso, cargado de desperdicios
Escrita por: Patrício Teixeira / João da Baiana