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Vanerão de la Buena Vida

João de Almeida Neto

Vanerão do Boa Vida

Com licença gauchada
Vai cantar um fronteirista
Que eu também tenho direito
Faz tempo que eu tô na lista
Também tenho uns quê de loco
E outros quesitos de artista

O meu nome tá escrito
Na capa deste processo
Sou o filho do canário
Nada dou e nada peço
Crioulo de Uruguaiana
Que aqui me tem de regresso

Minha vida é um céu aberto
Sou um gaúcho moderno
De telefone de china
Já enchi dois ou três caderno
E afinal sou moço e forte
Ganho bem e me governo

Algumas coisas que eu tenho
Eu herdei do meu avô
O nome e o jeito de macho
Foi ele que me deixou
E essa voz de roncar grosso
Pra saberem quem eu sou

Carrego as bota engraxada
Pra fandango de galpão
Planchaço e notícia boa
Dou sempre em primeira mão
Vivo rodeado de china
Mas vou morrer solteirão

Não sou melhor e nem pior
E nem igual a ninguém
Sou assim e por meu jeito
Pago o preço que ele tem
Sou como cusco de circo
Brigo mal, mas danço bem

Eu sei que falam de mim
Que eu não sei me comportar
Fumo bebo e jogo carta
E gosto muito de chinear
Sou um home cheio de vício
Mas prometendo deixar

Sou um home brincalhão
Mas de brinquedo não morro
E na hora do perigo
Sei a quem pedir socorro
Conheço o cachorro amigo
E o amigo que é cachorro

Tenho um pricípio comigo
De fronteirista charrua
Cada coisa em seu lugar
Eu na minha e tu na tua
A mulher e o gato em casa
O home e os cachorro na rua

Tem gente que me critica
Mas eu não posso ligar
Falem de bem ou de mal
Que o importante é falar
E eu sei que eu não sou dinheiro
Pra todo mundo gostar

Sou pobre mais sou metido
Sou feioso mas nem tanto
Sou um cantor do Rio Grande
Abro os peito e me garanto
E as moça que tão por perto
Se apaixonam quando eu canto

Vou te propor um negócio
Que vai ser uma barbada
Tu ganha e eu também ganho
Tamo a carreira empatada
Fica me querendo bem
Que não vai te custar nada

Vanerão de la Buena Vida

Con permiso, gauchada
Voy a cantar un fronterizo
Que también tengo derecho
Hace tiempo que estoy en la lista
También tengo algo de loco
Y otros rasgos de artista

Mi nombre está escrito
En la portada de este proceso
Soy el hijo del canario
No doy nada y no pido nada
Criollo de Uruguaiana
Que aquí me tiene de regreso

Mi vida es un cielo abierto
Soy un gaucho moderno
Con teléfono chino
Ya llené dos o tres cuadernos
Y al final soy joven y fuerte
Gano bien y me manejo

Algunas cosas que tengo
Las heredé de mi abuelo
El nombre y el modo de macho
Él fue quien me lo dejó
Y esta voz de roncar grueso
Para que sepan quién soy

Cargo las botas bien lustradas
Para el fandango de galpón
Noticia buena y plancha
Siempre las doy en primera mano
Vivo rodeado de chicas
Pero voy a morir soltero

No soy mejor ni peor
Y tampoco igual a nadie
Soy así y por mi forma
Pago el precio que tiene
Soy como un perro de circo
Peleo mal, pero bailo bien

Sé que hablan de mí
Que no sé comportarme
Fumo, bebo y juego cartas
Y me gusta mucho chinear
Soy un hombre lleno de vicios
Pero prometiendo dejar

Soy un hombre juguetón
Pero de juguete no muero
Y en la hora del peligro
Sé a quién pedir socorro
Conozco al perro amigo
Y al amigo que es perro

Tengo un principio conmigo
De fronterizo charrúa
Cada cosa en su lugar
Yo en lo mío y tú en lo tuyo
La mujer y el gato en casa
El hombre y los perros en la calle

Hay gente que me critica
Pero no puedo hacer caso
Hablen bien o mal
Lo importante es hablar
Y sé que no soy dinero
Para que a todos les guste

Soy pobre pero soy presumido
Soy feo, pero no tanto
Soy un cantante del Río Grande
Abro el pecho y me garantizo
Y las chicas que están cerca
Se enamoran cuando canto

Te voy a proponer un negocio
Que va a ser una ganga
Tú ganas y yo también gano
Estamos en la misma carrera
Quédate queriéndome bien
Que no te va a costar nada

Escrita por: Joao de Almeida Neto, Jose Luiz Souza Villela