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Dos Cicatrices

João Goiano e Goiazinho

Duas Cicatrizes

De Barretos pra Goiás
Fomos em dezoito peão
Pra buscar uma boiada
Na região de Catalão
Também foi a paulistinha
Montada no alazão
Nos lugares que passava
Chamava logo a atenção
Por ser boa cavaleira
Bonitinha de feição, ai, ai

Com a moça em companhia
Pela estrada conversando
Cada dia que passava
Dela eu mais ia gostando
Até mesmo em casamento
Eu já estava pensando
Sem saber que pelas matas
Os índios vinham sondando
O momento de atacar
Já estavam esperando, ai, ai

Nas matas de São Patrício
As flechas pegou chover
Atrás de um pé de peroba
Procurei nos proteger
Foi só bala que tinia
Fizemos os índios correr
O destino foi ingrato
Nunca mais vou esquecer
Com uma flechada nas costas
Vi a coitada morrer, ai, ai

Nunca mais deixei Barretos
Outra viagem não fiz
Aquele golpe tão rude
Deixou duas cicatriz
Uma foi de uma flechada
Que escapei por um triz
Outra está dentro do peito
Por isso eu não sou feliz
Por perder a paulistinha
Essa flor que eu tanto quis, ai, ai

Dos Cicatrices

De Barretos a Goiás
Fuimos dieciocho peones
Para buscar una manada de ganado
En la región de Catalão
También estaba la chica de São Paulo
Montada en el alazán
Por donde pasaba
Llamaba la atención de inmediato
Por ser una buena amazona
Bonita de rostro, ay, ay

Con la chica como compañía
Conversando por el camino
Cada día que pasaba
Me iba gustando más
Incluso en matrimonio
Ya estaba pensando
Sin saber que por los bosques
Los indios nos estaban acechando
El momento de atacar
Ya lo estaban esperando, ay, ay

En los bosques de São Patrício
Las flechas comenzaron a llover
Detrás de un árbol de peroba
Buscamos protegernos
Solo se escuchaban balas silbando
Hicimos correr a los indios
El destino fue cruel
Nunca olvidaré
Con una flecha en la espalda
Vi a la pobre morir, ay, ay

Nunca más volví a Barretos
No hice otro viaje
Ese golpe tan duro
Dejó dos cicatrices
Una fue de una flecha
De la que escapé por poco
La otra está en mi pecho
Por eso no soy feliz
Por perder a la chica de São Paulo
Esa flor que tanto quise, ay, ay

Escrita por: João Goiano / Torrinha