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Bagual Picaço

João Luiz Corrêa

Bagual Picaço

Certa feita me ajustei na estância do Seu Ponciano
Pra domar um bagual picaço que beirava cinco anos
Crioulo ali dos queimados lindeiro da terra dura
Esse picaço afamado pingo de linda figura

Era o senhor das coxilhas sem nunca ter visto o laço
Tinha por cama as flexilhas o famoso bagual picaço
Trouxe junto com a manada da invernada capororóca
Bufando e corcoveando e coiceando na massaroca

E ao chegar na mangueira deixei a poeira baixar
Enquanto a peonada faceira mateava a lhe contemplar
Discussões e gargalhadas lá na frente do galpão
Gavolices e patacuadas das lidas de domação

Com jeito botei o laço golpeando senti o perigo
Aos coices e manotaço passei-lhe o pé de amigo
Arregalei as loncas do lombo daquele picaço enfame
Arcado que nem porongo que dá em cerca de arame

Alcei a perna seguro no Santo Antônio de prata
Já foi escondendo o quengo no meio das duas patas
Saiu berrando e corcoveando só ouvia o rangir dos bastos
Várzeas, canhadas e coxilhas cruzamos riscando os pastos

Ficamos horas extraviados pras bandas do boqueirão
Às vezes perto das nuvens outras pertinho do chão
Se debulhando o endiabrado do puarva madurão
Inté parecia um mandado que vinha rrasgando o chão

Entregou-se o rei das coxilhas e atende a qualquer upa
Ficou bueno de encilha e bem mansinho de garupa

Bagual Picaço

Una vez me instalé en la estancia de Don Ponciano
Para domar un potro salvaje que rondaba los cinco años
Criollo de los quemados, limítrofe de la tierra dura
Este famoso potro, de hermosa figura

Era el señor de las colinas sin haber visto nunca el lazo
Tenía como cama las flexilhas, el famoso potro salvaje
Trajo consigo la manada desde la invernada capororóca
Bufando, corcoveando y pateando en la massaroca

Y al llegar al corral, dejé que el polvo se asentara
Mientras los peones, alegres, lo contemplaban mientras tomaban mate
Discusiones y risas allá en frente del galpón
Travesuras y patadas de las tareas de doma

Con cuidado puse el lazo, golpeando sentí el peligro
A los coceos y manotazos le di el pie de amigo
Abrí las lonjas del lomo de ese potro infame
Encorvado como un porongo que choca con el alambre

Levanté la pierna firme en el Santo Antônio de plata
Ya escondiendo la cabeza entre las dos patas
Salió bramando y corcoveando, solo se escuchaba el rechinar de los bastos
Várzeas, cañadas y colinas cruzamos, marcando los pastizales

Estuvimos horas perdidos por los lados del boqueirão
A veces cerca de las nubes, otras cerca del suelo
Desmontando al endiablado del puarva madurón
Hasta parecía un mandado que venía rasgando el suelo

Se rindió el rey de las colinas y obedece a cualquier upa
Quedó bueno de montura y bien manso de grupa

Escrita por: Getulio Silva / Walther Morais