De Bolichos e Razões
Postado na esquina destas vidas
Tontas de ilusões embriagadas
O bolicho povoeiro, marginal
Alenta mortes nesta viva madrugada
Desesperam esperanças calejadas
Nas razões deste vinho tão amargo
Há sangue entre charlas miseráveis
Pela noite resumida em tragos largos
Teu braço campeiro, hoje, sem lida
Por obra de um destino maltrapilho
Vai nos bolichos comprar direitos mortos
Roubados de teus olhos já sem brilho
Aqui, os teus saberes de nada valem
A cidade, teus sonhos, ignorou
É mais um que perdeu-se por perder-se
Dos caminhos que a mãe terra lhe traçou
Bombacha gasta, alpargata a meio pé
Além de causos de domas e pealos
São os resquícios da história do centauro
Que extraviou-se de sua metade cavalo
No rádio, uma vaneira tem insônias
Fala de campo, potros, berro de boi
Por um instante, relembra de quem foi
Logo depois, já não sabe mais quem é
De Bares y Razones
Postado en la esquina de estas vidas
Tontas de ilusiones embriagadas
El bar de pueblo, marginal
Alimenta muertes en esta viva madrugada
Desesperan esperanzas curtidas
En las razones de este vino tan amargo
Hay sangre entre charlas miserables
Por la noche resumida en tragos largos
Tu brazo campesino, hoy, sin trabajo
Por obra de un destino harapiento
Va a los bares a comprar derechos muertos
Robados de tus ojos ya sin brillo
Aquí, tus saberes de nada valen
La ciudad, tus sueños, ignoró
Es uno más que se perdió por perderse
De los caminos que la madre tierra le trazó
Bombacha gastada, alpargata a medio pie
Además de historias de domas y pealos
Son los vestigios de la historia del centauro
Que se extravió de su mitad caballo
En la radio, una canción tiene insomnios
Habla del campo, potros, mugido de buey
Por un instante, recuerda quién fue
Luego, ya no sabe quién es
Escrita por: Joca Martins / Mauricio Raupp Martins