Fronteiras
Veio um lá de Quipapá
Outro deixou Mossoró
São José do Ribamar
Que saudade de Filó
Filha de lavadeira
Ajuntou suas besteiras
Nunca teve eira nem beira
Trouxe sua fé certeira e os filhos pra criar
Foi no Sul, trabalhadeira que voltou a estudar
No ofício é costureira, faxineira e babá
Trezentos de Cabrobó
Tantos mil do Ceará
Cajazeiras lá ficou
Feito o rio de Propriá
Ouvi na feira
Lá no Sul quem fez carreira até sonha em voltar
Se dormir com a porta aberta podem até não lhe roubar
Sobra só a suadeira e o calor de sufocar
Em todo canto é construir, refletir e melhorar
Veio um lá de Quipapá
Outro deixou Mossoró
São José do Ribamar
Que saudade de Filó
Tanta gente já deixou tanto lugar
Já plantou e já colheu, honrando seu caminhar
Se questione ao ouvir quem se ilude em defender
Um tal de isso é meu
Um tal de me dê
Um tal de é só daqui
Cruze as fronteiras que arrodeiam os pés de quem não vê
Fronteras
Vino uno de Quipapá
Otro dejó Mossoró
São José do Ribamar
Qué nostalgia por Filó
Hija de lavandera
Juntó sus tonterías
Nunca tuvo nada
Trajo su fe certera y los hijos para criar
Fue al Sur, trabajadora que volvió a estudiar
En el oficio es costurera, limpiadora y niñera
Trescientos de Cabrobó
Tantos miles de Ceará
Cajazeiras se quedó
Como el río de Propriá
Escuché en la feria
En el Sur quien hizo carrera hasta sueña con volver
Si duerme con la puerta abierta pueden incluso no robarle
Sobra solo el sudor y el calor de asfixiar
En todo lugar es construir, reflexionar y mejorar
Vino uno de Quipapá
Otro dejó Mossoró
São José do Ribamar
Qué nostalgia por Filó
Tanta gente ya dejó tantos lugares
Ya sembró y ya cosechó, honrando su caminar
Cuestiónese al escuchar quien se ilusiona en defender
Un tal de esto es mío
Un tal de dame
Un tal de es solo de aquí
Cruce las fronteras que rodean los pies de quien no ve
Escrita por: John Mueller / Pochyua Andrade