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Madeira

Joilson e Waldir

Madeira

Quando se ouvia ainda
A maria fumaça apitando alto
E corria na rua sem asfalto
Um travesso moleque descalço

Quando se via ainda
Anjos caminhando em procissão
Existia ali uma árvore
Era ela nativa do nosso chão

O tronco crescia, grosso colosso de madeira
Sombra pra mais de metro
Chão pura terra, nada de concreto

Ingazeiro, solitário pé de ingá
Das suas folhas verdinhas, ai que saudade me dá

Fico parado hoje, frente ao seu tronco decepado
E meu olhar e triste ao pensar
Que já não mais existe
Meu companheiro de tantas estrepolias
Que destino cruel, teve o seu porte de arranha céu
Ter um corte tão dolorido
Como deve ter sofrido, tanto ou mais do que eu

Seu tronco caía, grosso colosso de madeira
Sol ardente nos ombros
Rua sem poeira e a casa de concreto

Ingazeiro, solitário pé de ingá
Das suas folhas verdinhas, ai que saudade me dá

Madeira

Cuando aún se escuchaba
La locomotora pitando fuerte
Y corría en la calle sin asfalto
Un travieso niño descalzo

Cuando aún se veían
Ángeles caminando en procesión
Existía allí un árbol
Era nativo de nuestra tierra

El tronco crecía, grueso coloso de madera
Sombra de más de un metro
Suelo puro de tierra, nada de concreto

Ingazeiro, solitario árbol de ingá
De sus hojas verdes, ay qué nostalgia me da

Hoy me quedo parado, frente a su tronco cortado
Y mi mirada entristece al pensar
Que ya no existe más
Mi compañero de tantas travesuras
Qué destino cruel, tuvo su altura de rascacielos
Recibir un corte tan doloroso
Como debe haber sufrido, tanto o más que yo

Su tronco caía, grueso coloso de madera
Sol ardiente en los hombros
Calle sin polvo y la casa de concreto

Ingazeiro, solitario árbol de ingá
De sus hojas verdes, ay qué nostalgia me da

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