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Caminos Marginales

Jorge Guedes e Família

Caminhos Marginais

Nos bancos duros da estação tapera
Onde meus rumos por vezes refaço
Vejo restolhos e fiapos humanos
Que se achegam em busca de espaço

Em meio aos trilhos que firme resistem
Entre dormentes quietos e vagões
Buscam atalhos se esmerando tristes
Nos vãos si lentes das composições

São trilhas cheias de encruzilhadas
Cartas marcadas que de longe vem
Com a pobreza que viaja sentada
Numa boleia do ultimo trem

Catam viajantes pra mostrar caminhos
Ombreando malas nos corpos esguios
E nos casebres a beira dos trilhos
Só tem miséria e pratos vazios

Caminhos tortos esses que ladeiam
As paralelas e as perimetrais
Sendas amargas que sempre transformam
Pobres crianças em pré-marginais

Caminos Marginales

En los bancos duros de la estación abandonada
Donde a veces rehago mis rumbos
Veo desechos y retazos humanos
Que se acercan en busca de espacio

Entre los rieles que resisten firmes
Entre durmientes quietos y vagones
Buscan atajos esforzándose tristes
En los huecos lentos de las composiciones

Son senderos llenos de encrucijadas
Cartas marcadas que vienen de lejos
Con la pobreza que viaja sentada
En la cabina del último tren

Recogen viajeros para mostrar caminos
Cargando maletas en cuerpos esbeltos
Y en las chozas al borde de los rieles
Solo hay miseria y platos vacíos

Caminos torcidos que bordean
Las paralelas y las perimetrales
Senderos amargos que siempre convierten
A pobres niños en pre-marginales

Escrita por: Jorge Guedes / Nenito Sarturi