Morre-se Assim
No meio das névoas e mergulhado na melancolia
Ao lado de tristes ciprestes, ajoelhado
Derramando quentes lágrimas de saudade
Perante o túmulo da minha amada
Morre-se assim
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão
Morre-se assim
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão
Não não não não não não não não
Não não não não
Sim sim sim sim sim sim sim sim sim
Mas porém contudo todavia
No entanto outrossim
Uma bala perdida desferida na rua dos paqueradores de travesti
Voou e foi alojar-se no crânio de uma velha senhora
Que lia com fervor a sua bíblia lá no morumbi
No cemitério, pra se viver é preciso primeiro falecer
Os vivos são governados pelos mortos
Que nada, os vivos são governados pelos mais vivos ainda
E no cemitério, em Évora, lê-se
Nós, os Ossos, esperamos pelos Vossos
Así se muere
En medio de las nieblas y sumergido en la melancolía
Junto a tristes cipreses, arrodillado
Derramando cálidas lágrimas de añoranza
Frente a la tumba de mi amada
Así se muere
Como un estornudo
Y de repente
Allí viene la carroza fúnebre
Así se muere
Como un estornudo
Y de repente
Allí viene la carroza fúnebre
No no no no no no no no
No no no no
Sí sí sí sí sí sí sí sí sí
Pero sin embargo no obstante
Sin embargo también
Una bala perdida disparada en la calle de los conquistadores de travestis
Voló y se alojó en el cráneo de una anciana
Que leía con fervor su biblia allá en Morumbi
En el cementerio, para vivir primero hay que fallecer
Los vivos son gobernados por los muertos
¡Qué va, los vivos son gobernados por los más vivos aún!
Y en el cementerio, en Évora, se lee
Nosotros, los Huesos, esperamos por los Vuestros
Escrita por: Jorge Mautner / Nelson Jacobina