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Hombre Invisible

Jorge Palma

Homem Invisível

O homem invisível decidiu dar cabo de mim
A sua presença é um convite permanente para a depressão
Estou sempre à espera de mais algum dos seus golpes baixos
Empurra-me para labirintos donde não há evasão

Ele já sabe há muito tempo que eu não posso detê-lo
Já sabe há muito tempo que eu não tenho meios para o apanhar
Sou eu quem dá a cara
Quem desperdiça a força que ele acaba por neutralizar

O homem invisível foi uma péssima invenção
Vive à custa do meu mal e não tem nada de bom para dar
E embora, às vezes, ele faça aliciantes promessas
Nenhuma delas até hoje me conseguiu acalmar

Eu sou apenas mais um entre os seus milhões de vítimas
Muitos já tentaram dar-lhe a volta, atirá-lo ao chão
Mas toda a gente falha
São todos contaminados pela sua má vibração

O homem invisível já é velho e cheira mal
Extremamente imoral, é capaz de vender a própria mãe
Não acredita no sonho, o seu amor é o dinheiro
E vive no terror constante de perder o que tem

Talvez eu nunca mais chegue a ver-me livre do monstro
Mas enquanto ele anda aí também vai ter que me aturar
Enquanto eu tiver voz
E algum sangue nas veias ele não vai conseguir descansar

Hombre Invisible

El hombre invisible decidió acabar conmigo
Su presencia es una invitación constante a la depresión
Siempre espero más de sus golpes bajos
Me empuja a laberintos de los que no hay escapatoria

Hace mucho tiempo que él sabe que no puedo detenerlo
Hace mucho tiempo que sé que no tengo forma de atraparlo
Soy yo quien se expone
Quien desperdicia la fuerza que él termina neutralizando

El hombre invisible fue una pésima invención
Vive a expensas de mi mal y no tiene nada bueno que ofrecer
Y aunque a veces hace promesas tentadoras
Ninguna hasta ahora ha logrado calmarme

Soy solo uno más entre sus millones de víctimas
Muchos han intentado vencerlo, derribarlo
Pero todos fallan
Todos están contaminados por su mala vibración

El hombre invisible ya es viejo y huele mal
Extremadamente inmoral, capaz de vender a su propia madre
No cree en el sueño, su amor es el dinero
Y vive en constante terror de perder lo que tiene

Tal vez nunca logre liberarme de este monstruo
Pero mientras esté aquí, también tendrá que soportarme
Mientras tenga voz
Y algo de sangre en las venas, él no podrá descansar

Escrita por: Jorge Palma