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Solo una historia más

Jorge Palma

Só Mais Uma História

Não consigo dormir
Deve ser do café que insisto em tomar
Depois do jantar
Ou então do jantar
Que é preciso engolir quando o corpo diz não
Sem qualquer razão
Ou então dos problemas que eu teimo em complicar
Há sempre gente em pior condição
O miúdo das cautelas não reparou ao atravessar
Um automóvel atirou-o ao chão
Estou deitado na cama
E apetece-me acelerar

Não consigo pensar
Deve ser do cansaço de me ocopar demais
De coisas banais
Ou então é do vinho
Não se deve beber fora das refeições
Salvo raras excepções
Ou então do bloqueio em volta do pensamento
As ideias passam ao largo sem atracar
A rapariga do xaile era um verdadeiro monumento
Com monumentos não se pode falar
Estou aqui no sofá
Eapetece-me avaporar

Conta-me uma história
Só mais uma história
Só mais uma história
Não consigo parar
É talvez a lembrança da criança
Que eu fui
Que ainda me dói
Ou então a amargura
De saber que não sou o herói que sonhei
E que abandonei
É talvez a loucura a envenenar-me a memória
Gritando em surdina: recordar é viver
Aquele velho no jardim também teve os seus sonhosde glória
Vou ser parecido com ele quando envelhecer
Ando ás voltas de mim
A apetece-me adormecer

Onta-me uma história
Só mais uma história
Só mais uma história

Solo una historia más

No puedo dormir
Debe ser por el café que insisto en tomar
Después de la cena
O tal vez por la cena
Que debo tragar cuando el cuerpo dice no
Sin ninguna razón
O tal vez por los problemas que insisto en complicar
Siempre hay gente en peor condición
El niño de las precauciones no se dio cuenta al cruzar
Un automóvil lo arrojó al suelo
Estoy acostado en la cama
Y me dan ganas de acelerar

No puedo pensar
Debe ser por el cansancio de preocuparme demasiado
Por cosas triviales
O tal vez es por el vino
No se debe beber fuera de las comidas
Salvo raras excepciones
O tal vez por el bloqueo alrededor del pensamiento
Las ideas pasan de largo sin atracar
La chica del chal era un verdadero monumento
Con monumentos no se puede hablar
Estoy aquí en el sofá
Y me dan ganas de desaparecer

Cuéntame una historia
Solo una historia más
Solo una historia más
No puedo parar
Quizás sea el recuerdo del niño
Que fui
Que aún me duele
O tal vez la amargura
De saber que no soy el héroe que soñé
Y que abandoné
Quizás sea la locura envenenando mi memoria
Gritando en silencio: recordar es vivir
Aquel viejo en el jardín también tuvo sus sueños de gloria
Seré parecido a él cuando envejezca
Ando dando vueltas en mí
Y me dan ganas de dormir

Cuéntame una historia
Solo una historia más
Solo una historia más

Escrita por: Jorge Palma