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War in der Stadt Sado

José Afonso

Foi Na Cidade do Sado

Foi na cidade do Sado
No pavilhão do Naval
Havia uma bronca armada
Pelas bestas do capital

Aos sete do mês de Março
Quinta-feira já se ouvia
Dizer a boca calada
Que o PPD era a CIA

Uma tarjeta laranja
Convite ao povo fazia:
Venham todos ao comício
Da Social Democracia

Eram talvez quatrocentos
Gritando a plenos pulmões:
Abaixo o capitalismo
Não queremos mais tubarões

Lá dentro sessenta manos
Do PPD exibiam
Matracas e armas de fogo
E o mais que os outros não viam

A um sinal combinado
Já quente a polícia vem
Arreia, polícia, arreia
Que o Totta-Acores paga bem

Amigo arrebenta a porta
Que te vão para matar
As bestas já fazem fogo
Lá fora tens de lutar

Os gases lacrimogénios
E os tiros que então partia
Mais os cordões da polícia
Os Pê Pê Dês protegiam

Cai morto João Manuel
De nascimento algarvio
Dezoito já eram feridos
Ficou o Naval vazio

Justiça pela noite fora
Pediu o povo na rua
Morte à polícia assassina
Amigo a vitória é tua

Aos onze do mesmo mês
Às onze horas do dia
Enquanto o João passava
Enquanto o João jazia

Do outro lado do rio
Morre o soldado Luís
Soldado filho do Povo
Vamos fazer um País

War in der Stadt Sado

Es war in der Stadt Sado
Im Pavillon des Naval
Da gab's einen Aufstand
Von den Bestien des Kapitals

Am siebten März
Donnerstag hörte man schon
Die stillen Stimmen sagen
Dass die PPD die CIA sei

Eine orange Karte
Lud das Volk ein:
Kommt alle zur Kundgebung
Der Sozialdemokratie

Es waren vielleicht vierhundert
Die lautstark riefen:
Nieder mit dem Kapitalismus
Wir wollen keine Haie mehr

Drinnen zeigten sechzig Typen
Vom PPD
Schlagstöcke und Schusswaffen
Und was die anderen nicht sahen

Auf ein vereinbartes Zeichen
Kommt die Polizei schon heiß
Halt ein, Polizei, halt ein
Denn Totta-Acores zahlt gut

Kumpel, spreng die Tür auf
Denn sie wollen dich umbringen
Die Bestien eröffnen das Feuer
Draußen musst du kämpfen

Die Tränengase
Und die Schüsse, die fielen
Die Polizeiketten
Schützten die PPD

João Manuel fiel tot
Geboren in der Algarve
Achtzehn waren schon verletzt
Der Naval blieb leer

Gerechtigkeit forderte
Das Volk auf der Straße
Tod der mörderischen Polizei
Kumpel, der Sieg gehört dir

Am elften des gleichen Monats
Um elf Uhr am Tag
Während João vorbeiging
Während João lag

Auf der anderen Seite des Flusses
Stirbt Soldat Luís
Soldat, Sohn des Volkes
Lasst uns ein Land schaffen

Escrita por: Jose Afonso