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Bem-te-vi

José Fortuna

Bem-te-vi

Numa estrada na beira da mata no sertão distante aonde eu nasci
Entre as folhas de um velho coqueiro se escondia um ninho de um bem-te-vi
Eu me lembro quando era criança nas tardinhas que eu passava ali
O feliz passarinho me vendo alegre cantava: - bem-te-vi! e o eco a dizer: - bem-te-vi!

Fiquei moço deixei meu sertão e a porteira da estrada chorando eu bati
Bem de longe avistei o coqueiro balançando as folhas distante sumi
Bem-te-vi magoado comigo porque dele eu não me despedi,
Lançou triste nas ondas do vento seu canto de adeus: - bem-te-vi! e o eco a dizer: - bem-te-vi!

Hoje aqui desta grande cidade eu me lembro chorando o lugar que eu nasci
Eu já soube que aquele coqueiro o meu triste adeus não pode resistir
Numa noite, uma chuva de vento fez o velho coqueiro cair
Mas em sonho ainda vejo o coqueiro e as aves cantando: - bem-te-vi! e o eco a dizer: - bem-te-vi!

Bem-te-vi

En un camino en el borde del bosque en el lejano sertón donde nací
Entre las hojas de una vieja palmera se escondía un nido de un bien-te-veo
Recuerdo cuando era niño en las tardes que pasaba por ahí
El feliz pajarito al verme alegre cantaba: - ¡bien-te-veo! y el eco decía: - ¡bien-te-veo!

Me hice hombre, dejé mi sertón y golpeé llorando la puerta del camino
Desde lejos vi la palmera meciendo las hojas desapareciendo a lo lejos
El bien-te-veo dolido conmigo porque no me despedí de él
Lanzó triste en las olas del viento su canto de adiós: - ¡bien-te-veo! y el eco decía: - ¡bien-te-veo!

Hoy aquí en esta gran ciudad recuerdo llorando el lugar donde nací
Supe que aquella palmera no pudo resistir mi triste adiós
Una noche, una lluvia de viento hizo caer la vieja palmera
Pero en sueños aún veo la palmera y las aves cantando: - ¡bien-te-veo! y el eco decía: - ¡bien-te-veo!

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