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Buzina de Boiadeiro

José Fortuna

Buzina de Boiadeiro

Todo sertão estremece no gemer desta buzina
Quando eu venho com a boiada daquelas bandas de minas
Com mais de duas mil cabeças zebu e raça turina
Fazendo poeira na estrada avermelhando as campinas.

O seu choro até parece araponga quando trina
Com o canto dos passarinhos o seu apito combina
Eu faço tremer nas folhas gotas d’água cristalina
Espanto dos ninhos as aves do campo e o gavião rapina.

Do sertão de mato grosso até santa catarina
Todos conhecem de longe o gemer desta buzina
Muitas léguas de distância quem ouve logo se inclina
Arranca longo suspiro dos corações das meninas

Eu pouso beirando as águas da nascente de uma mina
Olhando no céu bem longe as estrelas pequeninas
Pensando nas longas estradas, estradas de minha sina
Que só depois que eu morrer é que essa estrada termina.

Buzina de Boiadeiro

Todo el campo tiembla al sonar de esta bocina
Cuando llego con el ganado desde aquellas tierras de minas
Con más de dos mil cabezas de ganado cebú y raza turina
Levantando polvo en el camino, tiñendo de rojo las praderas.

Su llanto parece el canto de un araponga cuando trina
Con el cantar de los pájaros su silbato se combina
Hago temblar en las hojas gotas de agua cristalina
Espanto de los nidos a las aves del campo y al gavilán rapaz.

Desde el campo de Mato Grosso hasta Santa Catarina
Todos reconocen a lo lejos el sonido de esta bocina
A muchas leguas de distancia, quien lo escucha se inclina
Arranca largos suspiros de los corazones de las chicas.

Me detengo cerca de las aguas de la naciente de una mina
Mirando en el cielo muy lejos las estrellas diminutas
Pensando en los largos caminos, caminos de mi destino
Que solo después de morir es que este camino termina.

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