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Por Lands of France

José Mário Branco

Por Terras de França

Vou andando por terras de França
Pela viela da esperança
Sempre de mudança
Tirando o meu salário

Enquanto o fidalgo enche a pança
O Zé Povinho não descansa
Há sempre uma França
Brasil do operário

Não foi por vontade nem por gosto
Que deixei a minha terra
Entre a uva e o mosto
Fica sempre tudo neste pé

Vamos indo por terras de França
Nossa miragem de abastança
Sempre de mudança
Roendo a nossa grade
Quando vai o gado pra matança

Ao cabo da boa-esperança
Bolas pra bonança
E viva a tempestade
Não foi por vontade nem por gosto
Vamos indo por terras de França
Com a pobreza na lembrança

Sempre de mudança
Com olhos espantados
Canta o galo e a governança
A tesourinha e a finança
E os cães de faiança
Ladrando a finados

Não foi por vontade nem por gosto

Vamos indo por terras de França
Trocando a sorte pela chança
Sempre de mudança
Suando o pé de meia

Com a alocação e a segurança
Com sindicato e com vacança
Há sempre uma França
Numa folha de peia
Não foi por vontade nem por gosto

Por Lands of France

Estoy caminando por las tierras de Francia
A través del callejón de la esperanza
Siempre de cambio
Aparte de mi salario

Mientras el noble llena su vientre
Zé Povinho no descansa
Siempre hay una Francia
Trabajadores Brasil

No fue por voluntad o por gusto
Que dejé mi tierra
Entre la uva y el mosto
Todo está siempre en este pie

Vamos a través de las tierras de Francia
Nuestro espejismo de abastecimiento
Siempre de cambio
royendo nuestra red
Cuando el ganado vaya al matadero

Al final de la buena esperanza
Bolas para bonanza
Y viva la tormenta
No fue por voluntad o por gusto
Vamos a través de las tierras de Francia
Con la pobreza en la memoria

Siempre de cambio
Con ojos asombrados
Canta el gallo y el gobierno
Las tijeras y las finanzas
Y los perros de loza
Ladrando la escritura

No fue por voluntad o por gusto

Vamos a través de las tierras de Francia
Intercambio de suerte por la chança
Siempre de cambio
Sudando el pie del calcetín

Con asignación y seguridad
Con sindicato y vacante
Siempre hay una Francia
En una hoja de guisante
No fue por voluntad o por gusto

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