Sertão de Andradina
Saí da minha terra às quatro da matina
Deixei a minha roça e a casa pequenina
Pedi a Deus do céu a proteção divina
Iluminou meus passos a estrela matutina
Eu disse adeus sertão, sertão de Andradina
Chorou rio e cascata de água cristalina
Chorou a garça branca molhada de neblina
Até a siriema chorou lá na campina
Chorou a araponga no alto da colina
Lá no meu sertão, sertão de Andradina
A vida na cidade é muito mais granfina
Mas sinto que a saudade aos pouco me domina
Até a minha viola chora na surdina
Recorda as serenatas e as festanças juninas
Lá no meu sertão, sertão de Andradina
Eu choro a minha mágoa um pranto em cada esquina
São gotas que misturam com a garoa fina
Saudade que maltrata saudade
Que alucina saudade do meu bem encanto de menina
Que ficou chorando no sertão de Andradina
O meu sertão chorou, chorou quando eu parti
E eu também chorei, chorei ao despedir
Sertão van Andradina
Ik verliet mijn land om vier uur in de ochtend
Liet mijn akker en mijn kleine huisje achter
Ik vroeg God in de hemel om zijn bescherming
De ochtendster verlichtte mijn stappen
Ik zei vaarwel, sertão, sertão van Andradina
De rivier en de waterval huilden van kristalhelder water
De witte reiger huilde, nat van de nevel
Zelfs de siriema huilde daar op de vlakte
Huilde de araponga op de top van de heuvel
Daar in mijn sertão, sertão van Andradina
Het leven in de stad is veel chiquer
Maar ik voel dat de heimwee me langzaam overneemt
Zelfs mijn gitaar huilt in stilte
Herinnert zich de serenades en de junifeesten
Daar in mijn sertão, sertão van Andradina
Ik huil mijn verdriet, een traan op elke hoek
Het zijn druppels die zich mengen met de fijne motregen
Heimwee die kwelt, heimwee
Die waanzin veroorzaakt, heimwee naar mijn mooie meisje
Die bleef huilen in het sertão van Andradina
Mijn sertão huilde, huilde toen ik vertrok
En ik huilde ook, huilde bij het afscheid