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Belleza Divina

Juliana Andrade e Jucimara

Beleza Divina

Lá no sítio onde eu moro
É uma beleza divina
Eu me deito e me levanto
Sem apito e sem buzina

Porque lá não tem indústria
E nem carro dobrando a esquina
O meu carro é minha égua
Que caminha muitas léguas
E não gasta gasolina

Eu não troco a minha égua
Manga larga e campolina
Com mais de um metro de rabo
E com dois palmos de crina

Por um carro importado
Nem que venha da Argentina
Minha égua é mais que um carro
Anda por cima de barro
Não encalha e não patina

Sou caboclo pé rachado
Ninguém muda a minha sina
Gosto de viver no mato
E seguir boas doutrinas

Meus filhos são bem criados
Debaixo da disciplina
Deles não sinto vergonha
Nunca falaram e maconha
E não conhecem cocaína

De segunda à sexta-feira
Não mudo minha rotina
Labuto com a minha roça
E quando a semana termina

Pra aquelas beiras de rio
Eu saio bater corvina
Pego lambari, tambiú
No meu covo de bambu
Feito de taquara fina

Com o clima do meu sítio
Ninguém não se contamina
Gozo de boa saúde
Não procuro medicina

A gente sente o ar puro
Entrando pelas narinas
Poluição por lá não passa
Lá em casa só faz fumaça
Quando acendo a lamparina

É por isso que eu não troco
A minha casa na colina
Sem muralha e sem calçada
Sem vidraça e sem cortina

Por um prédio na cidade
Rodeado de vitrina
Caboclo mora onde eu moro
Bebe água pura sem cloro
E come arroz sem parafina

Belleza Divina

Allá en el campo donde vivo
Es una belleza divina
Me acuesto y me levanto
Sin pitidos ni bocinas

Porque allá no hay industria
Ni carros doblando la esquina
Mi carro es mi yegua
Que camina muchas leguas
Y no gasta gasolina

No cambio mi yegua
Manga larga y campolina
Con más de un metro de cola
Y con dos palmos de crin

Por un carro importado
Ni aunque venga de Argentina
Mi yegua es más que un carro
Anda por encima del barro
No se atora y no resbala

Soy un campesino de pies descalzos
Nadie cambia mi destino
Me gusta vivir en el campo
Y seguir buenas doctrinas

Mis hijos están bien educados
Bajo disciplina
No me avergüenzo de ellos
Nunca han hablado de marihuana
Y no conocen la cocaína

De lunes a viernes
No cambio mi rutina
Trabajo en mi campo
Y cuando termina la semana

Para esas orillas del río
Salgo a pescar corvinas
Cojo mojarras, bagres
En mi trampa de bambú
Hecha de caña fina

Con el clima de mi campo
Nadie se contamina
Disfruto de buena salud
No busco medicina

Se siente el aire puro
Entrando por las fosas nasales
La contaminación no llega allá
En casa solo hay humo
Cuando enciendo la lámpara

Por eso no cambio
Mi casa en la colina
Sin murallas ni aceras
Sin vidrios ni cortinas

Por un edificio en la ciudad
Rodeado de vitrinas
El campesino vive donde vivo
Bebe agua pura sin cloro
Y come arroz sin parafina

Escrita por: Edmauro / Edvaldo