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23

Júlio Dias

23

Deixou o tempo escapar
Meteu os pés pelas mãos
Trancou-se na demência do particular

Desaprendeu a desatar
O nó que irascível o tornou
O pudor que lhe escapou

Em nenhum lugar ele chegou
Ao andar, em vidro ele pisou aturdido pelos ruídos
Das vozes que não lhe dizem nada
Da sorte que lhe foi arraigada

Em nenhum lugar ele chegou
Ao andar, em vidro ele pisou aturdido pelos ruídos
Das vozes que não lhe disseram nada
Da sorte que lhe foi arraigada
Do sangue jorrando sob as pedras
Da seca, da letra

23

Dejó escapar el tiempo
Se enredó en sus propios errores
Se encerró en la locura de lo particular

Olvidó cómo desatar
El nudo que lo volvió irascible
La vergüenza que se le escapó

En ningún lugar llegó
Al caminar, pisó vidrio aturdido por los ruidos
De las voces que no le dicen nada
De la suerte que le fue impuesta

En ningún lugar llegó
Al caminar, pisó vidrio aturdido por los ruidos
De las voces que no le dijeron nada
De la suerte que le fue impuesta
De la sangre brotando bajo las piedras
De la sequía, de la letra

Escrita por: Júlio Dias