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Desbordamiento

Júlio Ferraz

Transbordar

Foi-se a era dos muros
Foi-se a era de se trancar
E se esconder do nada mais
Foi-se outro amanhecer
Em que eu me perdi várias vezes

Dentro da minha cabeça
Onde mais poderia ser?
Dentro da minha cabeça
Onde os grilos se escondem
Dentro da minha cabeça
Onde existem ruídos de um dia cinza
Que eu não entendi
Muito mais complicado que a minha canção
Ao buscar o abstrato

Não sei como vou pintar as cores que faltaram
Se é que faltaram cores
Ou era um único tom
Três acordes dissonantes
Em um único tom
Uma única textura

Entre pássaros, cantos, no quintal
Como pássaros românticos nos fios elétricos
Causando escalas tão dissonantes quanto eu
Tão realistas quanto o mundo
Tão convenientes quanto o caminhar
Por uma cidade tão pequena
Tão pequena a ponto de gerar curiosidades
A ponto de gerar mil ambientes em um único lugar

Eu canto o que meu coração, se quer sangrar
Transbordar, é o canto do meu coração
Que não quer sangrar, não quer
Eu canto o meu coração

Desbordamiento

Se ha ido la era de las paredes
Se ha ido la edad de encerrarse
Y esconderse de nada más
Se ha ido otro amanecer
En el que me perdí varias veces

Dentro de mi cabeza
¿Dónde más podría estar?
Dentro de mi cabeza
Donde se esconden los grillos
Dentro de mi cabeza
Donde hay ruidos de un día gris
Que yo no entendía
Mucho más complicado que mi canción
Al buscar el resumen

No sé cómo voy a pintar los colores que faltan
Si había una falta de colores
¿O era un solo tono?
Tres acordes disonantes
En un solo tono
Una sola textura

Entre pájaros, esquinas, en el patio trasero
Como pájaros románticos en cables eléctricos
Causando escamas tan disonantes como yo
Tan realista como el mundo
Tan cómodo como caminar
Para una ciudad tan pequeña
Tan pequeño como para generar curiosidades
Hasta el punto de generar mil ambientes en un solo lugar

Canto lo que mi corazón quiere sangrar
Para desbordar, es la canción de mi corazón
¿Quién no quiere sangrar, no quiere
Yo canto mi corazón

Escrita por: Julio Ferraz