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Lament of a River

Julio Saldanha

Lamento de Um Rio

Nasci quando nasceu a vida
Meu rumo eu mesmo tracei
Pra frente, sempre andei
Tranquilo como um ginete
Eu vi nascer o Alegrete
Lhe ajudei a levantar
Por que agora eles querem
Aos poucos me derrubar?

Sou um rio de muitos poetas
Que cresceu sem ter ninguém
Hoje eu preciso de alguém
Que me ajude a caminhar
Dou água, não sei cobrar
Faço brotar a semente
Lembrem que eu estou vivo
Não só quando estou de enchente

Sou remanso, correnteza
Tenho o peixe e o amarilho
Me adota como teu filho
Me olha com o coração
Preciso seguir andando
Levando a vida comigo
Não mereço esse castigo
Carregando a poluição

Um homem por mais homem
Vendo a morte se apavora
Não quero ir-me embora
Morrendo a cada manhã
Estou triste e solitário
Como grito do Tarrã
Escutem este lamento
Eu sou o Ibirapuitã

Lament of a River

I was born when life was born
I charted my own course
Forward, I always walked
Calm like a rider
I saw Alegrete being born
I helped it rise
Why do they now want
To slowly bring me down?

I am a river of many poets
That grew without anyone
Today I need someone
To help me walk
I give water, I don't know how to charge
I make the seed sprout
Remember that I am alive
Not only when I flood

I am calm, swift
I have fish and yellow water lilies
Adopt me as your child
Look at me with your heart
I need to keep moving
Carrying life with me
I don't deserve this punishment
Carrying pollution

A man, no matter how strong
Seeing death, is terrified
I don't want to leave
Dying every morning
I am sad and lonely
Like the cry of Tarrã
Listen to this lament
I am the Ibirapuitã

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