Caipora
Já era noite quando me toquei da hora / por culpa dela nem vi o tempo passar
Três léguas e meia, porra / eu tenho que ir embora
Mas uma coisa ta dizendo pra eu ficar / voltar pra casa era mais que obrigação
Se chegar tarde, nego vai comer na mão / meus pés descalços mal tratados pelo chão
Já não aguentam mais viver nesse sertão
Viver nesse sertão
Segui meu rumo na piçarra lamacenta / só tinha a luz da lua pra me iluminar
Na minha cabeça o personagem de uma lenda / me atormentava e me fazia recuar
Saí correndo, o coração batia forte / e o cansaço já começava a dominar
Sou cabra macho mas tenho medo da morte / e esse medo não me deixava parar
Não me deixava parar
Olhei pra trás e o bicho vinha me seguindo / e os passos comecei a apressar
Vinha correndo e ao mesmo tempo sorrindo / e eu com medo que ele pudesse me alcançar
E desse em diante eu comecei / acreditar no que eu sempre duvidei
De que ele existe não duvide não / se liga agora na porrada do refrão
Cuidado,ô caba, não num entre nesse mato / pois tu num sabe o que é que pode te encontrar
Vovó sempre me dizia: mora um caipora lá!
Caipora
Ya era de noche cuando me di cuenta de la hora / por su culpa ni vi pasar el tiempo
Tres leguas y media, carajo / tengo que irme
Pero algo me dice que me quede / volver a casa era más que una obligación
Si llego tarde, estaré en problemas / mis pies descalzos maltratados por el suelo
Ya no aguantan más vivir en este sertón
Vivir en este sertón
Seguí mi camino en la tierra fangosa / solo la luz de la luna me iluminaba
En mi cabeza el personaje de una leyenda / me atormentaba y me hacía retroceder
Salí corriendo, mi corazón latía fuerte / y el cansancio empezaba a dominar
Soy valiente pero le tengo miedo a la muerte / y ese miedo no me dejaba parar
No me dejaba parar
Miré hacia atrás y la criatura me seguía / apresuré mis pasos
Venía corriendo y al mismo tiempo sonriendo / y yo con miedo de que pudiera alcanzarme
Y a partir de ese momento empecé / a creer en lo que siempre dudé
Que él existe, no lo dudes / presta atención ahora a la paliza del estribillo
Cuidado, amigo, no entres en ese monte / porque no sabes qué te puedes encontrar
Mi abuela siempre me decía: ¡vive un caipora allá!