O Violão do Seresteiro
Este velho violão
Pelos anos descorado
Conserva em minha mente
A lembrança de um passado
Eu ganhei de um seresteiro
Que por mim é ignorado
Os seus acordes são tristes
Tem sentimento guardado
Parece entender que seu primeiro dono
Deste mundo já foi levado
Lá bem distante por detrás da mata
Eu encontrei um rancho abandonado
O mato em volta servia de manto
Deste recanto tão arretirado
Fiquei surpreso quando eu vi também
Um violão ali dependurado
Entrei no rancho e fiquei comovido
Peguei o pinho e comecei olhar
Apareceu-me uma voz estranha
Estas palavras eu ouvi falar
Leve contigo este violão
Pois nos seus braços quero ouvir tocar
Aquela voz era de um seresteiro
Que há muito tempo ali já morou
E desta vida já foi recolhido
Pra outro mundo Deus já o levou
Cantei pra ele esta melodia
O seu violão que me acompanhou
Obrigado, amigo
Meu nome é Chico, eu fui o rei da voz
Leve contigo este violão
Pois não quero lembrar a minha dor
Também não quero que esta madeira fria
Sinta noite e dia o silêncio do cantor
Hoje descansa aquele seresteiro
Assim cumprindo a sua missão
Ergui pra ele um altar de flores
E fiz também uma oração
Assim termina esta triste história
Da existência deste violão
El Guitarra del Serenatero
Este viejo guitarra
Desgastado por los años
Guarda en mi mente
El recuerdo de un pasado
Me lo regaló un serenatero
Que para mí es desconocido
Sus acordes son tristes
Guardan sentimientos
Parece entender que su primer dueño
De este mundo ya se ha ido
Allá lejos, detrás del bosque
Encontré un rancho abandonado
La maleza alrededor servía de manto
A este rincón tan apartado
Me sorprendí al ver también
Una guitarra colgada allí
Entré en el rancho y me conmoví
Tomé la madera y empecé a mirar
Una voz extraña se me apareció
Estas palabras escuché hablar
Lleva contigo esta guitarra
Porque en sus brazos quiero escucharla tocar
Esa voz era de un serenatero
Que hace mucho tiempo vivió allí
Y de esta vida ya fue llevado
A otro mundo Dios ya lo llevó
Le canté esta melodía
Su guitarra que me acompañó
Gracias, amigo
Mi nombre es Chico, fui el rey de la voz
Lleva contigo esta guitarra
Porque no quiero recordar mi dolor
Tampoco quiero que esta madera fría
Sienta noche y día el silencio del cantor
Hoy descansa aquel serenatero
Cumpliendo así su misión
Le erigí un altar de flores
Y también recé una oración
Así termina esta triste historia
De la existencia de esta guitarra
Escrita por: Juquinha / Morais Cesar