Mãos Vermelhas
Me diz pelo que você luta?
Que ar você respira, senão o meu fôlego?
Que comida você come, senão a que eu dou?
Abra a sua mente antes da sua boca
É o Brasil que ninguém vê
Tic, tac, tic, tac
O Agro não é tech
Não é pop e também mata
Vestem rosa ou azul
Com as mãos manchadas de vermelho
Vejo meus filhos se perguntando
Se você os mata ou se eles se matam
Se você os mata
Ou se eles matam primeiro
Você não sabe
Ninguém viu
Mas ficou cravado na minha memória
Pega no laço e você sabe a história
Legalizam o genocídio
Chamam de pardos pra embranquecer
Enfraquecer e desestruturar você
Pra não saber de onde veio
E conta a história da bisa, da sua bisa que era índia
E não é branco, nem preto
Nem indígena o suficiente, pelos fiscais de ID
Ninguém é ilegal em terra roubada
Tô renascendo das cinzas do fogo
Em que queimaram meus ancestrais
Ainda resistimos em tantos tons e vivências
Manos Rojas
Me dices por qué luchas?
Qué aire respiras, sino mi aliento?
Qué comida comes, sino la que yo doy?
Abre tu mente antes que tu boca
Es Brasil que nadie ve
Tic, tac, tic, tac
El Agro no es tecnología
No es popular y también mata
Visten rosa o azul
Con las manos manchadas de rojo
Veo a mis hijos preguntándose
Si los matas o si se matan entre ellos
Si los matas
O si ellos matan primero
No sabes
Nadie vio
Pero quedó grabado en mi memoria
Agarrado en el lazo y conoces la historia
Legalizan el genocidio
Los llaman pardos para blanquear
Debilitar y desestructurar
Para no saber de dónde vienes
Y cuenta la historia de la bisabuela, de tu bisabuela que era indígena
Y no es blanco, ni negro
Ni lo suficientemente indígena, según los inspectores de identidad
Nadie es ilegal en tierra robada
Estoy renaciendo de las cenizas del fuego
En el que quemaron a mis ancestros
Aún resistimos en tantos tonos y vivencias