395px

Mil Días

Kátia Freitas

Mil Dias

Atravessei mil dias em silêncio
Gritei minha mudez, calei a voz
Vesti a calma típica dos lentos
E fui em marcha bem pouco veloz

Deixei caídas flores pelo chão
E recusei mil falsos brilhos, apaguei
Comi com olhos, boca, pele, mão
As letras, cores, sons que degustei

O que senti, o que eu vi, o que vivi ainda está aqui

Soprei eu mesma velas, naveguei
Abri-me em fendas, solo do sertão
Lancei à sorte lágrimas, reguei
E verbos eu desfiz em confissão

Testemunhei o fétido perfume
E pus-me em retirada, desertei
Beijei, ardente, a face do sublime
Parti do exato porto onde cheguei

O que senti, o que eu vi, o que vivi ainda está aqui

De toda fenda, meu poema, meu buquê
De toda escuridão, a minha luz
De toda lágrima, a minha fé
De todo silêncio, a paz

O que eu vi, o que senti, o que vivi ainda está aqui

Eu guardei pra ti

Mil Días

Atravesé mil días en silencio
Grité mi mutismo, callé la voz
Vestí la calma típica de los lentos
Y fui en marcha poco veloz

Dejé caer flores por el suelo
Y rechacé mil falsos brillos, apagué
Comí con ojos, boca, piel, mano
Las letras, colores, sonidos que degusté

Lo que sentí, lo que vi, lo que viví aún está aquí

Soplé yo misma velas, navegué
Me abrí en grietas, suelo del sertón
Lancé al azar lágrimas, regué
Y verbos deshice en confesión

Presencié el fétido perfume
Y me retiré, deserté
Besé, ardiente, la cara de lo sublime
Partí del exacto puerto donde llegué

Lo que sentí, lo que vi, lo que viví aún está aquí

De toda grieta, mi poema, mi ramo
De toda oscuridad, mi luz
De toda lágrima, mi fe
De todo silencio, la paz

Lo que vi, lo que sentí, lo que viví aún está aquí

Guardé para ti

Escrita por: Cristiano Pinho / Kátia Freitas