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La Búsqueda

Katu Mirim

A Busca

Quando eu nasci o Estado já tinha um plano todo traçado
Eu nasci, e eles já queriam ver meu corpo enterrado
Me jogou na favela, sem canto, sem língua, me deixou sem memória
Pois quem não sabe de onde vem
Não cobra justiça a história

E eu vou buscar
(Então vai, não desiste)
O que é meu
(Vai lá buscar o que é seu)
O que eu meu
Eu vou lutar
Ahhhhh

Um dia olhei pro espelho e vi toda a terra roubada
Também vi caravelas chegando, criança gritando e sem entender nada
Ouvi a reza da igreja que silenciava o grito da mata
Ouvi meus ancestrais cantando
Levanta que é retomada!

Filha de aldeia e quilombo
Te querem é na margem
Na beira de estrada
Oh Brasil, cadê sua memória
A pátria amada é terra roubada

E eu vou buscar
(Tudo que é meu)
O que é meu
O que eu meu
(Levanta!)
Eu vou lutar
(Levanta e vai lá buscar)

Diz que índio só anda pelado
E vive da caça e não faz mais nada
Fake news do livro de história
Anda de mãos dadas
Com o Estado que mata

Sua faculdade me exclui pois no seu dicionário eu sou autodidata
Mas o grito é de revolta
Com dois pés na porta que faz retomada!

Juventude lutando por mais
Tudo é nosso, nós somos capaz
Se aumentar os passos eles ficam para trás
É tipo corrida de jogos voraiz

E eu não quero saber se concorda
Cuidado que a corda é colonizada
Enquanto você aponta o dedo
A arma do Estado já tá engatilhada
Então respeita a memória, e escute a história de boca fechada
A flecha tá indo pro alvo
E quando acertar não vai sobrar mais nada!

E eu vou buscar
O que é meu
(O que é nosso é hora de retomar)
O que eu meu
Eu vou lutar
(Sim, nós vamos lutar)

E eu vou buscar
O que é meu
O que eu meu
Eu vou lutar

(Avisa lá)

Pois rasgo minha certidão
Não preciso do Estado uma declaração
O seu plano falhou
Sou a confirmação

La Búsqueda

Cuando nací, el Estado ya tenía un plan todo trazado
Nací, y ellos ya querían ver mi cuerpo enterrado
Me arrojaron a la favela, sin rincón, sin lengua, me dejaron sin memoria
Porque quien no sabe de dónde viene
No reclama justicia a la historia

Y voy a buscar
(Entonces ve, no te rindas)
Lo que es mío
(Ve y busca lo que es tuyo)
Lo que es mío
Voy a luchar
Ahhhhh

Un día me miré en el espejo y vi toda la tierra robada
También vi carabelas llegando, niños gritando y sin entender nada
Escuché la reza de la iglesia que silenciaba el grito de la selva
Escuché a mis ancestros cantando
¡Levántate que es retomada!

Hija de aldea y quilombo
Te quieren en la margen
En el borde de la carretera
Oh Brasil, ¿dónde está tu memoria?
La patria amada es tierra robada

Y voy a buscar
(Todo lo que es mío)
Lo que es mío
Lo que es mío
(¡Levántate!)
Voy a luchar
(Levántate y ve a buscar)

Dicen que el indio solo anda desnudo
Y vive de la caza y no hace más nada
Noticias falsas del libro de historia
Anda de la mano
Con el Estado que mata

Tu universidad me excluye porque en tu diccionario soy autodidacta
Pero el grito es de revuelta
Con dos pies en la puerta que hace retomada

Juventud luchando por más
Todo es nuestro, nosotros somos capaces
Si aumentamos los pasos, ellos se quedan atrás
Es como una carrera de juegos voraces

Y no me importa si estás de acuerdo
Cuidado, la cuerda está colonizada
Mientras señalas con el dedo
El arma del Estado ya está cargada
Así que respeta la memoria, y escucha la historia con la boca cerrada
La flecha va hacia el blanco
Y cuando acierte no quedará nada más

Y voy a buscar
Lo que es mío
(Lo que es nuestro es hora de retomar)
Lo que es mío
Voy a luchar
(Sí, vamos a luchar)

Y voy a buscar
Lo que es mío
Lo que es mío
Voy a luchar

(Avisa allá)

Porque rompo mi acta de nacimiento
No necesito una declaración del Estado
Tu plan falló
Soy la confirmación

Escrita por: Katú Mirim