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Vaca negra y toro cebú

Kleber E Fabio

Vaca preta e boi zebu

Um famoso benzedor do triângulo mineiro
tinha uma rixa danada com um rico fazendeiro
o ricaço abusava "tenho pena, tenho dó
quem pratica a mandinga sempre vive na pior"
falava "não tenho medo, de macumba e nem feitiço
essas coisas pegam em pobre, mas nunca pega no rico."

Uma doença esquisita derrubou sua boiada
gastou todo o seu dinheiro e a doença não curava
a esposa muito aflita, pro fazendeiro falou
"jogue fora o seu orgulho, que de nada adiantou
isso é macumba da brava, vamos pôr o pé na estrada
antes de ficar sem nada, vamos lá pro benzedor.

O benzedor já sabia o que estava acontecendo
falava hoje recebo o que estão me devendo
logo bateram na porta, o fazendeiro falou
"vá benzer minha fazenda, eu lhe peço por favor"
"a fazenda não tem nada, nem as vacas e bezerros
o mal tá na sua esposa, vou benzer ela primeiro".

Entraram num quarto escuro, iluminado à luz de vela
benzedor pediu licença, foi tirando a roupa dela
"a senhora me desculpe, não é falta de respeito
o mal fica até na roupa, precisa ser desse jeito"
vendo aquele corpo lindo à sua disposição
deu início ao trabalho, começou a benzeção.
"Passo a mão no pé, pra curar o boi tomé
passo a mão na canela, pra curar a vaca amarela
passo a mão na coxa, pra curar a vaca roxa
passo a mão na verilha, que é pra curar as novilhas"
o fazendeiro atrás da porta, foi gritando de repente
"pode parar por aí, seu benzedor indecente
a vaca preta e o boi zebú, não põe a mão que não tá
doente."

Vaca negra y toro cebú

Un famoso curandero del triángulo minero
tenía una pelea constante con un rico hacendado
el adinerado abusaba 'tengo pena, tengo lástima
quien practica la brujería siempre vive en la miseria'
decía 'no tengo miedo, ni a la magia ni al hechizo
esas cosas afectan a los pobres, pero nunca al rico.'

Una extraña enfermedad derribó su ganado
gastó todo su dinero y la enfermedad no sanaba
la esposa muy afligida, al hacendado le dijo
'tira tu orgullo, que de nada sirvió
esto es brujería fuerte, vamos a poner pies en polvorosa
antes de quedarnos sin nada, vamos al curandero.

El curandero ya sabía lo que estaba pasando
decía 'hoy recibo lo que me deben'
pronto llamaron a la puerta, el hacendado dijo
'ven a bendecir mi finca, te lo pido por favor'
'la finca no tiene nada, ni las vacas y terneros
el mal está en tu esposa, la bendeciré primero'.

Entraron a una habitación oscura, iluminada por velas
el curandero pidió permiso, le quitó la ropa
'señora discúlpeme, no es falta de respeto
el mal incluso está en la ropa, necesita ser así'
viendo ese cuerpo hermoso a su disposición
comenzó su trabajo, empezó la bendición.
'Paso la mano en el pie, para curar al toro tomé
paso la mano en la canela, para curar a la vaca amarilla
paso la mano en el muslo, para curar a la vaca morada
paso la mano en la ingle, para curar a las novillas'
el hacendado detrás de la puerta, de repente gritó
'puedes parar ahí, curandero indecente
la vaca negra y el toro cebú, no pongas tus manos donde no están
enfermos.'

Escrita por: Álvaro José / Joãozete