395px

Promesas

Klüber

Promissões

Vou! Eu vou ir-me embora
Decidi-me agora
Ir-me de uma vez
Vou insultar a flora
Pisotear a amora
E esfregar na tez
Da vil chã que mora
Na litosfera e se escora
Nela mês após mês

Vou resenhar a vida
Me jogar na grama
Como sempre quis
Vou perceber doída
E lamentar ferida
Como sempre fiz
Sonharei escondida
De minhas dores e, puída
Serei muito feliz

Vou me banhar na chuva
Me queimar na praia
E ignorar quem sou
Vou procurar verdades
E enxergar maldades
Onde ainda não fui
Vou encontrar o mundo
Emancipar meus olhos
E ter mais amor

Vou compor sobre afetos
E os jargões prediletos
Não irão faltar
Vou abraçar crianças
Me entupir de pipoca
Junto ao Netflix
Vou falar besteiras
E pedir desculpas
Sem me arrepender

Vou ler teus poemas
Vou ler meus poemas
E vou rir de nós
Vou tocar meia-Lua
Tocar escaleta
E desafinar
Vou me imaginar mais alta
Vou me imaginar mais velha
E quiçá agradecer

Vou sonhar contigo
Acordar com raiva
E tomar café
Vou gravar um disco
Em dois mil e vinte e oito (vinte e cinco)
Você vai ver
Vou compor um hit
Odiar esse hit
E vou me culpar

Vou, vou, vou

Promesas

Voy! Me iré ahora
Decidí ahora
Irme de una vez
Voy a insultar la flora
Pisotear la mora
Y frotar en la piel
De la vil llanura que habita
En la litosfera y se apoya
En ella mes tras mes

Voy a reseñar la vida
Arrojarme en el pasto
Como siempre quise
Voy a darme cuenta dolorida
Y lamentar herida
Como siempre hice
Soñaré escondida
De mis dolores y, asqueada
Seré muy feliz

Voy a bañarme en la lluvia
Quemarme en la playa
E ignorar quién soy
Voy a buscar verdades
Y ver maldades
Donde aún no he ido
Voy a encontrar el mundo
Emancipar mis ojos
Y tener más amor

Voy a componer sobre afectos
Y los jergas preferidos
No faltarán
Voy a abrazar niños
Atragantarme de pochoclo
Junto a Netflix
Voy a decir tonterías
Y pedir disculpas
Sin arrepentirme

Voy a leer tus poemas
Voy a leer mis poemas
Y voy a reír de nosotros
Voy a tocar la media luna
Tocar la armónica
Y desafinar
Voy a imaginarme más alta
Voy a imaginarme más vieja
Y quizás agradecer

Voy a soñar contigo
Despertar enojada
Y tomar café
Voy a grabar un disco
En dos mil veintiocho (veinticinco)
Vas a ver
Voy a componer un éxito
Odiar ese éxito
Y me voy a culpar

Voy, voy, voy

Escrita por: Klüber