Olhos da Nau
Os seus olhos enormes
Olhos de fome, sempre famintos de ver
Uns olhos insones
Que nunca dormem
Sempre querendo dizer
Olhos d'água, janelas d'alma
Olhos de águia, cravos da índia
Glóbulos paralelos
Pupilas tagarelas
Contam maravilhas
Movem caravelas
Vão por todos os mares
Todos os nomes, os que nem posso dizer
Outros olhares não ficam imunes
Diante do que se vê
Olhos de faca
Duas adagas
Ferem e afagam
Tristezas de fado
São como olhos de vidro
São como lentes de aumento
Pra enxergar o que é visível por dentro
Olhos indivíduos, cada qual seu movimento
Pra enxugar se umedecidos ao vento
Ojos de la Nave
Tus ojos enormes
Ojos hambrientos, siempre ansiosos por ver
Unos ojos insomnes
Que nunca duermen
Siempre queriendo expresar
Ojos de agua, ventanas del alma
Ojos de águila, claveles de la India
Glóbulos paralelos
Pupilas parlanchinas
Cuentan maravillas
Mueven carabelas
Van por todos los mares
Todos los nombres, los que ni siquiera puedo decir
Otros miradas no quedan inmunes
Ante lo que se ve
Ojos de cuchillo
Dos dagas
Hieren y acarician
Tristezas de fado
Son como ojos de vidrio
Son como lentes de aumento
Para ver lo que es visible por dentro
Ojos individuales, cada uno con su movimiento
Para secarse si se humedecen al viento
Escrita por: Kristoff Silva / Makely Ka