395px

Cordel Celeste

Laécio Beethoven

Cordel Celeste

Surgiu nos “mei-de-feira” um escarcéu
Bem cedo se espalhou pelo sertão
Que cristo ao ver de perto lampião
Curvou-se feito quem tira o chapéu
O povo mais católico e fiel
Tratou de heresia, difamação
João grilo por saber ressurreição
Chamou à terra o anjo gabriel
E logo que desceu trouxe consigo
Um texto com os versos criativos
Qual mestre patativa do assaré
E sobre o pergaminho pequenino
Escrito sob os olhos do divino:
A sina do terceiro “fi” de zé

Sobe o pai josé ferreira
No ano de dezenove
Em julho de trinta e oito
Seu terceiro filho sobe
Virgolino decepado
Cristo foi crucificado
Comparar não sendo esnobe

Suas mães eram maria
As companheiras também
Deixaram a terra cedo
Foram morar no além
Lampião e jesus cristo
Nasceram em (vejam isto)
Vila bela e belém

Ao avistar ferreirinha
Na porta do paraíso
O filho do carpinteiro
Fez o que achou preciso
Tirou seu manto vermelho
E sem pedir um conselho
Capitão eu te batizo!

Andava com seguidores
E você com o seu bando
Vivi a paz e a justiça
E você viveu matando
Vingando seus velhos “ais”
De que eu seria capaz
Se eu visse meu pai findando?

Eu já fui um andarilho
Você pastor, artesão
Eu, senhor de céus e terra
Você, senhor do sertão
“pedisse” perdão ao mundo
Naquele triste segundo
Nas mãos do tenente joão

Florindo o roda-pé da redação
Recados e carimbos digitais
José, lucas da feira, caifáz,
Tomé, silvino, pedro, lampião,
Januário, jesuino, abraão,
Zé gomes cabeleira, barrabás,
Valente zé do vale, capataz,
De diabo louro, judas, bom ladrão.
Com letras, garatujas e rabisco
A frase assinada por corisco:
“abraços de dadá, de déia e meus!”
Cordel celeste é para pernambuco
Resumo de um mistério mameluco
Transcrito das linhas da mão de Deus.

Cordel Celeste

En medio de la semana surgió un alboroto
Temprano se extendió por el sertón
Que al ver de cerca a Lampião
Cristo se inclinó como quien se quita el sombrero
El pueblo más católico y fiel
Lo consideró herejía, difamación
João Grilo al saber de la resurrección
Llamó a la tierra al ángel Gabriel
Y en cuanto descendió trajo consigo
Un texto con versos creativos
Cual maestro Patativa do Assaré
Y sobre el pergamino diminuto
Escrito bajo los ojos del divino:
El destino del tercer hijo de Zé

Sube el padre José Ferreira
En el año diecinueve
En julio del treinta y ocho
Su tercer hijo sube
Virgolino decapitado
Cristo fue crucificado
Comparar no siendo arrogante

Sus madres eran María
Las compañeras también
Dejaron la tierra temprano
Fueron a vivir al más allá
Lampião y Jesucristo
Nacieron en (vean esto)
Vila Bella y Belén

Al avistar a Ferreirinha
En la puerta del paraíso
El hijo del carpintero
Hizo lo que consideró necesario
Se quitó su manto rojo
Y sin pedir consejo
¡Capitán, te bautizo!

Andaba con seguidores
Y tú con tu banda
Yo viví la paz y la justicia
Y tú viviste matando
Vengando tus viejos lamentos
¿De qué sería capaz yo
Si viera a mi padre acabando?

Yo fui un vagabundo
Tú pastor, artesano
Yo, señor de cielos y tierra
Tú, señor del sertón
Pedir perdón al mundo
En aquel triste segundo
En manos del teniente João

Adornando el rodapié de la redacción
Recados y sellos digitales
José, Lucas de la feria, Caifás,
Tomé, Silvino, Pedro, Lampião,
Januário, Jesuíno, Abrahán,
Zé Gomes Cabeleira, Barrabás,
Valente Zé do Vale, capataz,
De diablo rubio, Judas, buen ladrón.
Con letras, garabatos y trazos
La frase firmada por Corisco:
'¡Abrazos de Dadá, de Déia y míos!'
Cordel Celeste es para Pernambuco
Resumen de un misterio mestizo
Transcrito de las líneas de la mano de Dios.

Escrita por: Laecio Beethoven