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Baião de la Encrucijada

Laís Gomes

Baião da Ecruzilhada

Venham, vamos, vou lhes mostrar
Com quantos maus bocados
Se faz um bem passado coração
Com quantos pés molhados
Se tira o mau olhado e a maldição
Com quantos resfriados
Se faz um requentado corpo são
Com quantos pobres-diabos
Um anjo alado em louvação

Viver é ter sem juntar
É ofertório
Laboratório, labor
E oratório
Deus me segure o botão
Do suspensório
Que é pra ninguém me ver não
Espantalhado
No meio da confusão
Do meu pecado
Meu coração fogaréu
Desembestado

Cidade sem coronel
Boi sem cabresto
Chocalho de cascavel
Anjo canhestro
Viver é ter condução
Desenfreada

Soltura e amarração
Mola e facada
Desejo de aberração
Encruzilhada
Jura de morte ou perdão
Eu quis me acovardar

Espia
Quase que vendi ao meu rival
Um dia
Meu metro quadrado de quintal
Meus olhos que fechei
Com medo do jaguar
Que a imagem do espelho dá

Baião de la Encrucijada

Vengan, vamos, les mostraré
Con cuántos malos tragos
Se hace un corazón bien pasado
Con cuántos pies mojados
Se quita el mal de ojo y la maldición
Con cuántos resfriados
Se hace un cuerpo sano recalentado
Con cuántos pobres diablos
Un ángel alado en alabanza

Vivir es tener sin acumular
Es ofertorio
Laboratorio, labor
Y oratorio
Dios, sujétame el botón
Del suspensorio
Para que nadie me vea
Asustado
En medio de la confusión
De mi pecado
Mi corazón en llamas
Desbocado

Ciudad sin coronel
Buey sin cabestro
Cascabel de cascabel
Ángel torpe
Vivir es tener conducción
Desenfrenada

Soltura y atadura
Resorte y puñalada
Deseo de aberración
Encrucijada
Juramento de muerte o perdón
Quise acobardarme

Mira
Casi vendí a mi rival
Un día
Mi metro cuadrado de patio
Mis ojos que cerré
Por miedo al jaguar
Que la imagen del espejo da

Escrita por: João Vasconcelos / Laís Gomes