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Desde Que Você Morreu Pra Mim

Lamúria Abissal

Desde Que Você Morreu Pra Mim

Vamos a uma nova ilusão
Talvez que a vida tenha um novo inicio
Depois de tanto sacrifício
Cai-se tudo de novo no mesmo maleficio
Estou cansado de sentir remorso, culpa, medo e insegurança
Talvez nunca nunca mesmo, era pra ter tido alguma esperança
Todas as pessoas que conheço só aparecem para ir embora
Queria nunca ter tido ideia alguma, do que é ser iludido e abandonado

Já é mais do que tarde demais
Olhando pra essa tão brilhante lâmina, reflito sobre o começo do final das coisas
Relutantemente tudo só volta para o mesmo estado de letargia
Desesperança e agonia
O resumo da minha vida, se ecoa em ciclos destrutivos
O que afinal seria agonia?
Após tantas vezes que ja deixei o tempo ir
A vida se torna uma grande espera por coisas

E pessoas que nunca chegarão
Já penso que algo construtivo se ergue a partir do ódio
Ele sempre me liberta para cada vez mais alimenta-lo de novo
Me consumindo pela raiva e uma incansável ânsia de frieza
Saia de mim
Como uma praga incorporada a meu ser, você nunca sai de mim
Praga, nojenta, mente inútil, esquece, esse expurgo

Por todo o tempo possível eu quis ficar com você, você simplesmente escolheu ir embora e me abandonar, como todas as pessoas que já conheci
Você não acrescentou nada, nisso eu só perdi, meu tempo esforço e vitalidade
Em uma doença, uma bulimia passional, sua, despejando suas fraquezas em mim
Todos os dias eu me arrependo, de ter feito tanto
A cada dia eu me forço mais, a esquecer
Eu me sangro em lutas inúteis

A força já não me rende mais para continuar a tentar fazer cada vez mais frustrações
Que me iludem em algum dia algo sair dessa rotina tão destrutiva
Já que a vida só me rende lamentações e tristezas
Dela já não esperarei mais nada
Não lutarei pelas pessoas, só luto por mim, pois eu sou o único que não me abandonarei e não irei deixar, me abandonar, assim, não de novo
Não sei o que eu espero, nem o que eu quero
Numa desolação momentânea que se ecoa várias vezes

Me perco por pesamentos pesados e decepcionados
Numa ironia, talvez do destino, carrego um fardo que no fundo não quero me livrar
Já não se tem mais esperança, olho pra dentro e só vejo minhas partes desmontadas numa serenidade doentia ou quase sufocante
Grito por dentro, grito por fora e nada nunca mudará o acontecido
Acho que está na hora de encarar e deixar tudo passar
Já passou na verdade ou nunca esteve parado, tudo mudou, ainda suplico à meu consciente para pensar no que isso se baseou

Não teve sentido nenhum, é hora de reunir detalhe à detalhe
Varrer essa angústia que tripula em minhas expressões e conclusões
É tanto medo que eu tenho de hoje, a afirmação seria insanidade?
Tudo foi em vão, nada valeu a pena, nem nunca valerá, isso sim é mais que certo continuo à esperar, o que eu não sei, talvez só queria acordar
E ver que é mentira, qual seria a verdade?
Talvez eu queira escolher uma pra acreditar, anestesiaria a dor
Mas não mudaria nada de qualquer maneira

Desde Que Você Morreu Pra Mim

Vamos hacia una nueva ilusión
Quizás la vida tenga un nuevo comienzo
Después de tanto sacrificio
Todo cae de nuevo en la misma desgracia
Estoy cansado de sentir remordimiento, culpa, miedo e inseguridad
Quizás nunca, nunca en realidad, debí tener alguna esperanza
Todas las personas que conozco solo aparecen para luego marcharse
Ojalá nunca hubiera tenido idea alguna de lo que es ser engañado y abandonado

Ya es más que tarde
Mirando esta brillante hoja, reflexiono sobre el comienzo del fin de las cosas
A regañadientes todo vuelve al mismo estado de letargo
Desesperanza y agonía
El resumen de mi vida se refleja en ciclos destructivos
¿Qué es en realidad la agonía?
Después de tantas veces que dejé pasar el tiempo
La vida se convierte en una larga espera por cosas

Y personas que nunca llegarán
Ya pienso que algo constructivo surge del odio
Siempre me libera para alimentarlo una y otra vez
Consumiéndome con rabia y un deseo incansable de frialdad
Sal de mí
Como una plaga incorporada a mi ser, nunca te vas de mí
Plaga, repugnante, mente inútil, olvida, este exorcismo

Durante todo el tiempo posible quise estar contigo, simplemente elegiste irte y abandonarme, como todas las personas que conocí
No aportaste nada, solo perdí mi tiempo, esfuerzo y vitalidad
En una enfermedad, una bulimia emocional tuya, vertiendo tus debilidades en mí
Todos los días me arrepiento de haber hecho tanto
Cada día me esfuerzo más por olvidar
Me desangro en luchas inútiles

La fuerza ya no me alcanza para seguir intentando enfrentar más frustraciones
Que me ilusionan con que algún día algo saldrá de esta rutina tan destructiva
Ya que la vida solo me da lamentos y tristezas
De ella ya no esperaré nada
No lucharé por las personas, solo lucho por mí, porque soy el único que no me abandonaré y no permitiré que me abandonen de nuevo
No sé qué espero, ni qué quiero
En una desolación momentánea que se repite varias veces

Me pierdo en pensamientos pesados y decepcionados
En una ironía, quizás del destino, cargo con un peso que en el fondo no quiero soltar
Ya no hay esperanza, miro hacia adentro y solo veo mis partes desmontadas en una serenidad enfermiza o casi sofocante
Grito por dentro, grito por fuera y nada cambiará lo sucedido
Creo que es hora de enfrentar y dejar pasar todo
Ya pasó en realidad o nunca estuvo detenido, todo cambió, aún suplico a mi conciencia que piense en qué se basó esto

No tuvo sentido alguno, es hora de reunir detalle a detalle
Barrer esta angustia que se apodera de mis expresiones y conclusiones
Tengo tanto miedo hoy, ¿sería una locura afirmarlo?
Todo fue en vano, nada valió la pena, ni valdrá nunca, eso sí es seguro, sigo esperando, lo que no sé, tal vez solo quería despertar
Y ver que es mentira, ¿cuál sería la verdad?
Quizás quiera elegir una para creer, anestesiaría el dolor
Pero no cambiaría nada de todos modos

Escrita por: Iuri Calado