Debaixo do Teu Vestido
Um cheiro morno
brota de baixo do teu vestido
Nas tardes de domingo
Nas tardes de domingo.
Um gato preto
dorme debaixo do teu vestido
sonhando em versos antigos
sonhando em versos antigos.
Escondo um dos meus segredos
debaixo do teu vestido
e o sol arranca um rio dos teus póros,
molhando todo o tecido.
Uma música triste
toca debaixo do teu vestido
e vem até meus ouvidos
e vem até meus ouvidos.
A lua-cheia
pinga debaixo do teu vestido
e escorre pelos ladrilhos
e escorre pelos ladrilhos.
Tuas vielas de veludos
e sedas e sobretudos,
teus endereços duvidosos,
teus ossos, teus poços, teus muros.
(Quando a noite vem,
ela se vai também
e em seu caminho eu sei que existe um outro alguém)
Esqueço as chaves e os cigarros
debaixo do teu vestido
e então naufrago pelos bares
e bocas e olhos e ouvidos.
Um rato imundo
anda debaixo do teu vestido
roendo todo o sentido,
roendo todo o sentido...
Debajo de tu vestido
Un olor cálido
brota de debajo de tu vestido
En las tardes de domingo
En las tardes de domingo.
Un gato negro
duerme debajo de tu vestido
soñando con versos antiguos
soñando con versos antiguos.
Escondo uno de mis secretos
debajo de tu vestido
y el sol arranca un río de tus poros,
mojando toda la tela.
Una música triste
toca debajo de tu vestido
y llega a mis oídos
y llega a mis oídos.
La luna llena
gotea debajo de tu vestido
y se desliza por los adoquines
y se desliza por los adoquines.
Tus callejones de terciopelo
y sedas y abrigos,
tus direcciones dudosas,
tus huesos, tus pozos, tus muros.
(Cuando la noche llega,
ella también se va
y en su camino sé que hay alguien más)
Olvido las llaves y los cigarrillos
debajo de tu vestido
y luego naufrago por los bares
y bocas y ojos y oídos.
Una rata inmunda
camina debajo de tu vestido
royendo todo sentido,
royendo todo sentido...
Escrita por: Fabrício Fortes Xerox