Asfixia
O ar acabou pra mim em Wuhan
Acabou em Nova Iorque
Já não respiro nas ruas de São Paulo
Falta ar no cruzamento das fronteiras
Desse tempo calculado em adeus
Sei que você me chama de algum lugar
Mas não consigo entender nada
Em casa, com medo de sonhar
Lembro do dia em que provei
A dor do seu silêncio final
Falta tu, falta eu
Quem somos nós
Nessa solidão
Falta eu, falta tu
Quem somos nós
Nessa escuridão
E morto, de olhos arregalados
Não vejo nada, não saio de mim
Mas recuso a rejeição
Da máscara apertada
Que estilhaça o seu nariz
Não desapareci nas sombras
Da arte, do amor, de tudo que cura
Sei que ainda posso escapar
Do meu generoso egoísmo
E me reconhecer na sua respiração
Asfixia
El aire se acabó para mí en Wuhan
Se acabó en Nueva York
Ya no respiro en las calles de São Paulo
Falta aire en el cruce de fronteras
De este tiempo contado en despedidas
Sé que me llamas desde algún lugar
Pero no logro entender nada
En casa, con miedo de soñar
Recuerdo el día en que probé
El dolor de tu silencio final
Falta tú, falta yo
¿Quiénes somos nosotros?
En esta soledad
Falta yo, falta tú
¿Quiénes somos nosotros?
En esta oscuridad
Y muerto, con los ojos bien abiertos
No veo nada, no salgo de mí
Pero rechazo la opresión
De la mascarilla ajustada
Que destroza tu nariz
No desaparezco en las sombras
Del arte, del amor, de todo lo que cura
Sé que aún puedo escapar
De mi generoso egoísmo
Y reconocerme en tu respiración
Escrita por: Flávio Paiva / Laura Finocchiaro