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Gabiru

Leandro Marques

Gabiru

Ele tinha tão pouco pra comer
Mas havia tanto tempo pra viver
Aos sete anos começou o auê
Sem papai, nem mamãe só lhe restava sofrer
E o seu nome era Gabiru, que vagava pela Zona Sul
Veio lá de Nova Iguaçu, do Cabo Sul
Gabiru auê

Pede no ônibus, implora no bar
Bob's, McDonalds e onde mais pinta
Toma na cara, moleque sai pra lá
Gabiruzinho sua sina era penar

Perde-se a vontade de viver, quando não se sabe ler, nem escrever
Fazer o que? Ninguém pediu pra ser
Um Gabiru auê, Gabiru auê

Quem é livre não olha pra trás, pra trás
Quem é forte não precisa provar

Aos sete anos começou a cheirar
Parou de pedir, agora seu negócio era roubar
Corre da Polícia, Segurança, cafetão
Vida de cachorro é melhor do que vida de ladrão
E de tanto correr foi parar na Rocinha
Para trabalhar de fogueteiro
Para avisar que sujou aê, Gabiru auê

Quem é livre não olha pra trás, pra trás
Quem é forte não precisa provar

Ê Gabiru começou a prosperar
De Soldado a gerente ele agora vai mandar
Não importa se é bandido, mocinho ou inocente
Com a macaca no pescoço mete medo em toda gente

Agora ele tinha muito pra comer, mas não havia tanto tempo para viver
Aos 15 anos começou o auê, Gabiru ficou famoso, foi parar na TV

Quem é livre não olha pra trás, pra trás
Quem é forte não precisa provar

Na madrugada do dia 25
Festa no morro, a favela está sorrindo
Gabiru presenteava os aliados
Mas ele não pode prever o inesperado

Sobe correndo que o portão do morro abriu
Homens de azul e de preto como jamais se viu
Vaza parceiro, o BOPE invadiu
Acertaram o Gabiru, a casa caiu

Gabiru não resistiu e no outro dia o povo invadiu a pista
A chapa esquentou, o trânsito parou
E no meio da multidão havia um garoto de apenas sete anos
Segurando uma faixa onde ele mesmo escreveu
Gabiru morreu (Gabiru morreu)

Quem é livre não olha pra trás, pra trás
Quem é forte não precisa provar

Preconceito, menosprezo, abandono da nação
A sociedade cria mais um monstro cidadão
Um soldado descartado sem nome
Mas que é bucha de canhão do Al Capone

Gabiru Cresceu e se vingou e a toda playboyzada viciou
Filhos de uma elite que não sossegou enquanto não pegou (enquanto não pegou)
Um Gabiru sofredor (oh oh)
Que o natal levou (oh oh)
Que nunca mais roubou (oh oh)
Que não tá mais aê
Que não tá mais aê
Gabiru auê

Quem é livre não olha pra trás, pra trás
Quem é forte não precisa provar
Só precisa amar

Gabiru

Tenía tan poco para comer
Pero había tanto tiempo para vivir
A los siete años comenzó el auê
Sin papá ni mamá lo único que tenía que hacer era sufrir
Y se llamaba Gabiru, que deambulaba por la Zona Sur
Proviene de Nova Iguaçu, de Cabo Sul
Gabiru auê

Ruega en el autobús, ruega en el bar
Bob's, McDonalds y cualquier otro lugar donde pintes
Tómalo en la cara, chico, sal ahí fuera
Gabiruzinho, su destino era sufrir

Pierdes las ganas de vivir cuando no sabes leer ni escribir
¿Hacer lo? Nadie pidió ser
Um Gabiru auê, Gabiru auê

Los que son libres no miran atrás, atrás
Los que son fuertes no necesitan demostrarlo

A los siete años empezó a oler
Dejó de preguntar, ahora su negocio era robar
Huir de la policía, seguridad, proxeneta
La vida de un perro es mejor que la vida de un ladrón
Y de tanto correr acabó en Rocinha
Trabajar como cohetero
Para hacerte saber que te equivocaste, Gabiru auê

Los que son libres no miran atrás, atrás
Los que son fuertes no necesitan demostrarlo

Ê Gabiru comenzó a prosperar
De soldado a gerente ahora mandará
No importa si eres un mal tipo, un buen tipo o una persona inocente
Con el mono al cuello asusta a todos

Ahora tenía mucho para comer, pero no tanto tiempo para vivir
A los 15 años empezó el auê, Gabiru se hizo famoso y acabó en la televisión

Los que son libres no miran atrás, atrás
Los que son fuertes no necesitan demostrarlo

En la madrugada del día 25
Fiesta en la colina, la favela sonríe
Gabiru entregó regalos a los aliados
Pero él no puede predecir lo inesperado

Corre hacia arriba y la puerta de la colina se ha abierto
Hombres de azul y negro como nunca antes vistos
Socio de filtraciones, BOPE invadido
Golpearon a Gabiru, la casa se cayó

Gabiru no pudo resistirse y al día siguiente la gente invadió la pista
El plato se calentó, el tráfico se detuvo
Y en medio de la multitud había un niño de apenas siete años
Sosteniendo una pancarta donde él mismo lo escribió
Gabiru murió (Gabiru murió)

Los que son libres no miran atrás, atrás
Los que son fuertes no necesitan demostrarlo

Prejuicio, desprecio, abandono de la nación
La sociedad crea otro monstruo ciudadano más
Un soldado descartado sin nombre
Pero esa es carne de cañón de Al Capone

Gabiru creció y se vengó y se volvió adicto a todos los playboys
Hijos de una élite que no se calmaron hasta conseguirlo (mientras no lo conseguían)
Un Gabiru sufriente (oh oh)
Esa Navidad tomó (oh oh)
Quien nunca volvió a robar (oh oh)
eso ya no esta ahi
eso ya no esta ahi
Gabiru auê

Los que son libres no miran atrás, atrás
Los que son fuertes no necesitan demostrarlo
solo necesitas amar

Escrita por: Leandro Marques