Último Pedaço de Chão / Estrada Boiadeira (medley)
Hoje eu vou deixar o meu sertão, seu moço
Vendi meu úrtimo pedaço de chão pro fazendeiro do lugar
Vou dar a minha úrtima olhada na lavoura e na invernada
Sei que muito pouco eu vou levar
Vou juntar o pouco que me resta
Jogar fora o que não presta, tristeza eu sei que vou chorar
Óia aqui eu passei a minha infância, todo o meu tempo de criança
E eu sei que não vou mais voltar
Aqui era a fazenda seu moço
Aqui eu passei alegria e desgosto, mas não deixei nada faltar
Mas com o passar dos anos chegou o meu desengano
Que até me dá tristeza de falar
Óia essas mãos calejadas aqui seu moço!
Foi no cabo de uma enxada que eu consegui tudo plantar
Hoje eles vêm lá da cidade do banco de uma faculdade pra tomar o meu lugar
Não é que sou contra a evolução, seu moço, pelo contrário
Mas a cabeça e o coração demora um pouco pra aceitar
Agora tô indo morar lá na cidade muito contra a minha vontade
Pois só eu sei o que vou encontrar
Mas entrego nas mãos de Deus o futuro de todos os meus
Só ele vai saber me orientar
Sinto saudade da batida da porteira
Sinto saudade do cantar do passarinho
Sinto saudade da vida sertaneja
Sinto saudade porque agora estou sozinho
Olho no espelho os meus cabelos branquearam
Sinto cansaço neste corpo boiadeiro
É o peso dos anos que passaram
Na minha vida já passou tantos janeiros
Eu fico triste quando vejo uma boiada
Um caminhão cortando o asfalto sem poeira
E nesse instante dou um pulo ao meu passado
E quando volto estou chorando de tristeza
Estrada velha, estrada boiadeira
Estrada velha cheia de poeira
Tanta saudade que você me traz
Daqueles tempos que não voltam mais
Último Trozo de Tierra / Camino de Ganado (medley)
Hoy voy a dejar mi región, señor
Vendí mi último trozo de tierra al hacendado del lugar
Voy a echar mi última mirada al cultivo y al ganado
Sé que muy poco me llevaré
Voy a juntar lo poco que me queda
Tirar lo que no sirve, tristeza sé que voy a llorar
Mira aquí pasé mi infancia, todo mi tiempo de niño
Y sé que no voy a volver más
Aquí era la hacienda, señor
Aquí pasé alegrías y penas, pero no dejé que faltara nada
Pero con el pasar de los años llegó mi desencanto
Que hasta me da tristeza de hablar
¡Mira estas manos callosas aquí, señor!
Fue con el mango de un azadón que logré plantar todo
Hoy vienen desde la ciudad del banco de una universidad para ocupar mi lugar
No es que esté en contra de la evolución, señor, al contrario
Pero la mente y el corazón tardan un poco en aceptar
Ahora me voy a vivir a la ciudad muy en contra de mi voluntad
Pues solo yo sé lo que voy a encontrar
Pero entrego en manos de Dios el futuro de todos los míos
Solo él sabrá guiarme
Extraño el golpe de la tranquera
Extraño el cantar del pájaro
Extraño la vida campesina
Extraño porque ahora estoy solo
Miro en el espejo mis cabellos se han vuelto blancos
Siento cansancio en este cuerpo de ganadero
Es el peso de los años que han pasado
En mi vida han pasado tantos eneros
Me entristezco al ver una tropa de ganado
Un camión cortando el asfalto sin polvo
Y en ese instante doy un salto a mi pasado
Y cuando vuelvo estoy llorando de tristeza
Camino viejo, camino de ganado
Camino viejo lleno de polvo
Tanta añoranza que me traes
De aquellos tiempos que no vuelven más
Escrita por: Leandro Moreira, Carlos Spies